Boom da IA transforma funcionários da OpenAI em multimilionários

Boom da IA transforma funcionários da OpenAI em multimilionários

A explosão da inteligência artificial já começou a criar uma nova geração de multimilionários no Vale do Silício – e muitos deles ainda trabalham em empresas que sequer abriram entraram nas bolsas de valores. Um dos principais exemplos é a OpenAI, que recentemente permitiu que funcionários vendessem parte de suas ações em uma rodada bilionária.

Segundo o The Wall Street Journal, no fim do ano passado, mais de 600 funcionários atuais e antigos da desenvolvedora venderam participações na companhia, movimentando cerca de US$ 6,6 bilhões. Pessoas familiarizadas com a operação (que preferiram se manter em anonimato) revelaram que aproximadamente 75 deles conseguiram atingir o teto individual de venda estabelecido pela OpenAI: US$ 30 milhões por pessoa.

A operação marcou a primeira oportunidade real de muitos empregados transformarem o valor acumulado em ações desde o lançamento do ChatGPT em dinheiro real. A empresa exigia um período mínimo de dois anos antes que os funcionários pudessem negociar seus papéis.

Parte dos beneficiados decidiu direcionar parte da fortuna recém-obtida para fundos filantrópicos conhecidos como “donor-advised funds”, mecanismos usados para financiar causas beneficentes e, ao mesmo tempo, obter vantagens fiscais.

Logo da OpenAI em um smartphone
Venda de ações da OpenAI está transformando Vale do Silício em novo polo de milionários – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Venda de ações da OpenAI deve ter impacto econômico regional

O movimento é visto como um prenúncio do impacto econômico que a inteligência artificial deve provocar em centros tecnológicos como São Francisco. OpenAI e Anthropic caminham para possíveis ofertas públicas iniciais (IPOs) consideradas entre as maiores da história da tecnologia, cenário que poderá multiplicar ainda mais a riqueza no setor.

A dimensão financeira do atual ciclo da IA já supera episódios anteriores da indústria de tecnologia. Diferentemente do boom da internet nos anos 1990 e 2000, quando muitos funcionários precisavam esperar anos após os IPOs para acessar seus ganhos, a nova onda da IA vem distribuindo riqueza ainda durante a fase privada das empresas.

A valorização também chama atenção pelos números envolvidos. Funcionários que estavam na OpenAI quando a companhia começou a emitir ações, há cerca de sete anos, viram o valor desses papéis subir mais de 100 vezes no período. No mesmo intervalo, o índice Nasdaq Composite apenas triplicou.

Além dos ganhos extraordinários com ações, a disputa por talentos em IA elevou os salários do setor a níveis inéditos. A Meta, por exemplo, ofereceu pacotes de até US$ 300 milhões para alguns pesquisadores de destaque no ano passado. Já a OpenAI paga salários anuais superiores a US$ 500 mil em determinadas funções técnicas, além de bônus e remunerações em ações muito acima do padrão tradicional das big techs.

Em agosto do ano passado, a empresa também distribuiu bônus extraordinários que, em alguns casos, chegaram a valer milhões de dólares.

Esse fluxo crescente de riqueza já produz efeitos visíveis em São Francisco, incluindo aumento nos preços de aluguel e preocupações sobre o aprofundamento da desigualdade social na cidade.

A OpenAI realizou outras ofertas de liquidez nos últimos anos, mas anteriormente limitava as vendas a US$ 10 milhões por funcionário. O novo teto de US$ 30 milhões foi implementado após pressão de pesquisadores e engenheiros que consideravam o limite anterior insuficiente diante da valorização acelerada da companhia.

Os principais executivos da empresa também acumulam fortunas expressivas. Em depoimento judicial recente, o presidente da OpenAI, Greg Brockman, afirmou possuir uma participação avaliada em cerca de US$ 30 bilhões.

Já Sam Altman declarou não possuir ações da OpenAI, citando as origens sem fins lucrativos da organização. Ainda assim, investidores acreditam que ele poderá receber participação acionária futuramente, especialmente caso a empresa conclua sua transformação em uma estrutura com fins lucrativos no contexto da disputa judicial envolvendo Elon Musk.

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