O Brasil testa uma plataforma capaz de levar experimentos a mais de 100 km de altitude e trazê-los de volta à Terra. A operação acontece no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte, e pode dar mais autonomia ao país nas pesquisas de microgravidade.
A Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R) é lançada acoplada a um foguete, realiza experimentos durante o voo e retorna presa a paraquedas. Com a carga recuperada, os pesquisadores podem examinar diretamente os materiais submetidos às condições reais da missão.

Um laboratório por alguns minutos
A Operação Potiguar 2 começou em 31 de agosto e deve terminar em 19 de setembro. A Força Aérea Brasileira (FAB) participa dos testes, que têm como principal objetivo verificar o funcionamento do sistema de recuperação da plataforma.
Em missões desse tipo, pesquisadores brasileiros costumam acompanhar os resultados por telemetria, que transmite dados à distância. A PSM-R acrescenta outra possibilidade: recuperar fisicamente os experimentos para análise após o voo.
Microgravidade não significa ausência total de gravidade. É uma condição em que sua influência é significativamente reduzida, fazendo com que fenômenos físicos e químicos ocorram de maneira diferente. Entre as aplicações estão:
- Desenvolvimento de novos materiais;
- Estudos de processos de combustão;
- Pesquisas com medicamentos;
- Agricultura espacial;
- Cristalização de moléculas.
O VS-30 V16, foguete desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), tem cerca de nove metros de comprimento. A plataforma é levada a mais de 100 km de altitude e permanece em condição de microgravidade durante aproximadamente seis a oito minutos.
Depois de atingir o ponto mais alto da trajetória, a plataforma começa a retornar à Terra. Primeiro, ocorre uma queda livre. Em seguida, um paraquedas guia reduz a velocidade e prepara a abertura do paraquedas principal.
A cápsula geralmente cai no mar. Um GPS instalado no equipamento envia sinais de rádio com sua localização, permitindo que um helicóptero da FAB faça o resgate.
Agricultura também vai ao espaço
Um dos experimentos leva um Cubesat 1U, minissatélite com microrganismos liofilizados e biodosímetros de radiação. A pesquisa pretende verificar como fungos e bactérias suportam as condições extremas da missão e se continuam viáveis após o retorno.
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Na Terra, outro conjunto com os mesmos microrganismos e sensores servirá de comparação. A equipe também fará testes de microgravidade por clinorotação em laboratório, confrontando os resultados da simulação com aqueles obtidos em um lançamento real.

Um passo para a autonomia
O Brasil já utiliza plataformas de microgravidade compradas do exterior. Se a PSM-R for qualificada, o país poderá realizar lançamentos periódicos utilizando um equipamento nacional.
Seremos capazes de produzir nossa própria plataforma. É um avanço na direção de nossa autonomia em voos suborbitais.
Marco Antonio Chamon, presidente da AEB, ao g1.
Inaugurado em 1965, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno foi o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul e já participou de mais de 400 lançamentos.
A recuperação física dos experimentos é o principal diferencial desta etapa. Com a qualificação da plataforma, a expectativa é que universidades e empresas possam levar pesquisas ao ambiente de microgravidade com maior frequência, dando continuidade ao desenvolvimento da tecnologia espacial brasileira.
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