A BYD colocou à venda nesta terça-feira (28), no Japão, o Racco, seu primeiro veículo elétrico desenvolvido especificamente para a categoria dos kei cars, segmento de compactos leves que representa uma parcela relevante das vendas de veículos novos no país.
O modelo chinês aposta em uma carroceria alta, amplo espaço interno, portas traseiras deslizantes e autonomia de até 320 quilômetros nas versões superiores para conquistar consumidores japoneses, especialmente famílias, moradores de áreas rurais e usuários que buscam um segundo veículo.
A estratégia da fabricante é disputar um mercado historicamente dominado por empresas nacionais, oferecendo uma alternativa elétrica com preço inicial anunciado a partir de 2,145 milhões de ienes (pouco mais de R$ 67 mil) e possibilidade de ficar abaixo de 2 milhões de ienes com incentivos aplicáveis.
BYD aposta no segmento mais tradicional dos compactos japoneses
O lançamento do Racco representa uma tentativa da BYD de avançar em um dos segmentos mais particulares da indústria automotiva japonesa. Os chamados kei cars foram criados para atender às necessidades de mobilidade em cidades com ruas estreitas e também em regiões onde veículos pequenos são mais adequados ao cotidiano.
O modelo foi projetado desde o início para cumprir as regras japonesas destinadas aos veículos leves. A proposta combina dimensões compactas com características valorizadas pelos consumidores locais, como formato de minivan alta, facilidade de acesso e aproveitamento do espaço interno.
Segundo a fabricante, o Racco utiliza o conceito de “super tall” associado à propulsão elétrica, oferecendo teto elevado, piso interno plano e espaço suficiente para transportar passageiros e objetos com maior praticidade.
Entre os recursos destacados estão as portas laterais elétricas deslizantes, aceleração silenciosa proporcionada pelo motor elétrico, possibilidade de utilização da energia armazenada para alimentar equipamentos externos e sistemas de assistência ao motorista.
A BYD também afirma que o veículo conta com estrutura reforçada, seis airbags, freios a disco nas quatro rodas, alertas para evitar o esquecimento de passageiros nos bancos traseiros e sistema de proteção contra fechamento acidental dos vidros.
Preço é o principal fator na disputa contra rivais japoneses

A entrada da BYD no segmento dos kei elétricos ocorre em um cenário no qual as fabricantes japonesas mantêm forte presença. Modelos como o Nissan Sakura e o Honda N-One já disputam consumidores interessados em veículos elétricos compactos.
De acordo com informações divulgadas sobre o mercado, o Sakura parte de aproximadamente 2,448 milhões de ienes, enquanto o modelo elétrico compacto da Honda tem preço inicial próximo de 2,7 milhões de ienes. A BYD pretende usar uma política de preços agressiva para reduzir essa diferença.
O Racco terá três versões. A configuração básica 200 será vendida por 2,145 milhões de ienes, com autonomia de 210 quilômetros. As versões 300 Plus e 300 Premium terão alcance de 320 quilômetros e preços de 2,398 milhões e 2,497 milhões de ienes, respectivamente.
A fabricante atribui a capacidade de oferecer preços competitivos ao controle de grande parte da cadeia de produção, incluindo componentes como bateria, motor, semicondutores e estrutura do veículo.
A disputa, porém, não envolve apenas preço. Analistas apontam que fatores como rede de assistência, valor de revenda e percepção dos consumidores japoneses sobre marcas estrangeiras também poderão influenciar o desempenho do modelo.
BYD tenta ampliar presença após início discreto no Japão

A fabricante chinesa entrou no mercado japonês de automóveis de passeio em 2023, mas teve um crescimento considerado limitado nos primeiros anos. Os números divulgados indicam vendas de 1.446 veículos em 2023, outros 2.223 em 2024 e cerca de 3.742 em 2025.
Com o Racco, a empresa estabeleceu uma meta de alcançar 10 mil pedidos até o fim de 2026. Para sustentar essa expansão, ampliou sua estrutura comercial, chegando a 77 pontos de venda no país, incluindo 56 concessionárias oficiais.
A BYD também busca fortalecer sua imagem local por meio da entrada da tradicional revendedora Yanase na comercialização de seus veículos.
Especialistas avaliam que o crescimento da marca dependerá da capacidade de conquistar consumidores que ainda demonstram resistência aos carros elétricos e aos veículos produzidos por fabricantes chineses.
Além da BYD, empresas japonesas como Toyota, Suzuki, Daihatsu e Honda continuam concentrando grande parte do mercado de kei cars, tornando a disputa pelo consumidor japonês uma das mais difíceis para uma marca estrangeira.
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