Como funciona o ‘domo’ que barra mísseis a 20.000 km/h nos Emirados Árabes Unidos

Como funciona o ‘domo’ que barra mísseis a 20.000 km/h nos Emirados Árabes Unidos

O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos (EAU) confirmou ter interceptado mísseis balísticos iranianos que miravam locais ligados aos Estados Unidos na região. Essa ação foi uma resposta de Teerã contra bases militares no Golfo, após ataques conjuntos executados por Israel e pelos EUA contra o Irã.

O sistema de defesa foi acionado rapidamente para proteger pontos estratégicos, como a Base Aérea de Al Dhafra, nos EAU, que recebe soldados locais e americanos. Apesar de os alvos terem sido destruídos no ar, a queda de destroços em Abu Dhabi matou um civil. Em Dubai, o clima é de bastante tensão, descreveu o editor executivo do Olhar Digital, Bruno Capozzi, que está lá.

Como o ‘Domo’ protetor de Dubai intercepta centenas de mísseis e drones

A rede de defesa aérea dos Emirados Árabes Unidos opera como um sofisticado escudo de várias camadas, projetado para identificar, rastrear e destruir ameaças, como drones e mísseis balísticos, antes que eles atinjam seus alvos no solo.

Fumaça no céu depois de uma interceptação, em Dubai
Fumaça no céu depois de uma interceptação, em Dubai (Imagem: Arquivo pessoal)

Para entender como esse sistema funciona, podemos dividi-lo em quatro etapas principais:

Detecção: Os ‘olhos” do sistema

Tudo começa com sensores de alerta precoce e radares potentes. Um dos componentes mais importantes é o radar AN/TPY-2, que opera em alta frequência (banda X).

  • Alcance: Ele consegue detectar e rastrear mísseis a centenas de quilômetros de distância;
  • Capacidade: É capaz de seguir objetos minúsculos que se movem em velocidades hipersônicas (alguns mísseis ultrapassam 20.000 km/h).

Rastreamento e comando: O ‘cérebro’

Assim que um lançamento é detectado, os dados são enviados em tempo real para redes de comando e controle.

  • Análise: O sistema calcula a trajetória do míssil e determina se ele representa uma ameaça a áreas povoadas ou infraestruturas muito importantes;
  • Cálculo de interceptação: Computadores determinam exatamente onde o míssil estará num determinado ponto no espaço para que um interceptador possa ser enviado ao seu encontro.

Interceptação em camadas: O ‘escudo’

Os EAU utilizam uma estratégia de defesa em camadas, o que significa que eles têm mais de uma chance de destruir a ameaça.

  • Camada superior (THAAD): O sistema Terminal High Altitude Area Defense é a primeira linha de defesa contra mísseis balísticos em sua fase final de voo, interceptando-os na atmosfera superior;
    • Tecnologia “hit-to-kill”: Diferente de mísseis comuns que explodem perto do alvo, o THAAD destrói a ameaça por meio do impacto direto a altíssimas velocidades (basicamente “atropelando” o míssil inimigo). Os EAU foram o primeiro país fora dos EUA a operar este sistema;
  • Camada inferior (Patriot): Se o míssil passar pela primeira camada ou se a ameaça estiver numa altitude menor (como aeronaves ou mísseis de curto alcance), entra em cena o MIM-104 Patriot.
    • O sistema utiliza seus próprios radares e sensores integrados para rastrear a ameaça em tempo real e disparar mísseis interceptores que buscam o alvo para destruí-lo em pleno voo. Esta configuração em camadas oferece aos operadores uma segunda chance de defesa.

Riscos e a realidade da interceptação

A rede de defesa aérea dos EAU opera como um sofisticado escudo de várias camadas, projetado para identificar, rastrear e destruir ameaças (Imagem: Reprodução)

Embora o sistema seja altamente eficaz, existem desafios significativos:

  • Tempo de reação: Como os mísseis viajam extremamente rápido, o sistema muitas vezes tem apenas alguns minutos para detectar, rastrear e interceptar a ameaça;
  • Perigo de destroços: Mesmo quando uma interceptação é bem-sucedida, o míssil destruído se fragmenta. E esses destroços caem de grandes altitudes. Por isso, podem danificar estruturas e até matar pessoas se atingirem áreas residenciais. Foi o que ocorreu em Abu Dhabi no fim de semana.

Essa estrutura robusta foi desenvolvida ao longo de mais de uma década devido ao crescimento dos arsenais de mísseis balísticos na região do Golfo.

(Essa matéria usou informações de Wired.)

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