Quando um jogador se destaca no CBLOL ou disputa uma competição internacional como o VCT, é comum nos perguntarmos de onde ele começou. Mas, assim como acontece no futebol, o cenário competitivo dos games também possui uma categoria de base responsável por desenvolver novos talentos.
Esses torneios amadores e semiprofissionais são o primeiro contato de muitos jogadores com um ambiente competitivo organizado. É nesse espaço que eles aprendem a jogar em equipe, lidar com a pressão de uma competição, cumprir horários, trabalhar ao lado de treinadores e entender como funciona a rotina de uma organização.
Segundo Phelipe Cerezzo, fundador da Liga GG, organizadora de campeonatos amadores e semiprofissionais de League of Legends e VALORANT, foi justamente a falta desse espaço que motivou a criação da iniciativa em 2018:
“Percebemos que existiam milhares de jogadores talentosos, mas poucos caminhos para que eles fossem vistos. Decidimos criar essa ponte entre o sonho e o profissionalismo.”
O que são torneios de base?
Os torneios de base funcionam como a porta de entrada para o cenário competitivo dos e-sports. Essas competições permitem que jogadores iniciantes disputem campeonatos organizados, ganhem experiência e chamem a atenção de equipes maiores.
É nesse ambiente que os competidores aprendem a lidar com a pressão de uma transmissão ao vivo, a seguir uma rotina de treinos, a trabalhar em equipe e a desenvolver habilidades que vão muito além da mecânica dentro do jogo.
Para Cerezzo, esse processo é indispensável para a formação de qualquer atleta.
“A base é onde tudo começa. Assim como no futebol existem categorias de formação, nos esports é a mesma coisa. Nenhum atleta chega preparado ao mais alto nível sem competir antes. É na base que o jogador aprende disciplina, comunicação, trabalho em equipe, controle emocional e cria experiência competitiva.”
Na visão do CEO, é justamente essa vivência que diferencia um bom jogador de um profissional preparado para enfrentar os desafios dos grandes campeonatos.
Muito além dos jogadores

Quando falamos em e-sports, é comum pensar primeiro nos jogadores. Mas a competição só acontece graças ao trabalho de muitos profissionais que atuam nos bastidores.
Narradores, comentaristas, broadcasters, League Ops (profissionais responsáveis pela operação dos campeonatos), designers, editores de vídeo, observers e social media também encontram nos torneios de base a oportunidade de desenvolver suas habilidades e construir um portfólio.
“Os e-sports são muito maiores do que apenas os jogadores. Dentro da Liga GG já vimos narradores, comentaristas, analistas, League Ops, administradores de campeonato, designers, produtores de transmissão, social media, fotógrafos, editores de vídeo e criadores de conteúdo iniciarem suas carreiras. A base forma profissionais para todo o ecossistema, não apenas atletas.” Comentou Cerezzo.
O caminho até o profissional
Para muitos jogadores, os torneios de base representam a primeira oportunidade de competir em um ambiente estruturado. É nesse cenário que equipes conseguem observar talentos que dificilmente seriam descobertos apenas pelas partidas ranqueadas dos jogos.
Ao longo dos anos, esse modelo tem contribuído para o crescimento do cenário competitivo brasileiro. Segundo Phelipe Cerezzo, mais de 120 jogadores que passaram pela Liga GG chegaram ao cenário profissional, reforçando que essas competições são uma etapa importante no desenvolvimento de novos talentos.
“Muitos atletas que hoje disputam grandes campeonatos começaram em torneios de base. Quando oferecemos estrutura, organização e oportunidade, criamos um ambiente em que o talento pode ser visto e desenvolvido.”
Por mais que nem todos os participantes alcancem o cenário profissional, a experiência que eles ganham nesses campeonatos contribui para a evolução dos jogadores e amplia as possibilidades de carreira dentro dos e-sports.
Quando um campeonato vira comunidade

Os torneios de base vão além da competição, eles criam comunidades. Eles não só reúnem jogadores, mas também aproximam pessoas que compartilham o interesse pelos e-sports e fortalecem uma rede de colaboração.
Para Cerezzo, esse sentimento de pertencimento é um sinal de que um projeto está cumprindo seu objetivo.
“A Liga GG deixou de ser apenas um campeonato quando as pessoas continuaram participando mesmo depois da eliminação. Elas permaneciam no Discord, assistiam às transmissões, acompanhavam os outros times e criavam amizades. Foi nesse momento que percebemos que estávamos construindo uma comunidade.”
Esse engajamento também contribui para o fortalecimento do cenário competitivo. Jogadores, equipes e profissionais permanecem conectados, compartilham conhecimento e encontram novas oportunidades, criando um ambiente que incentiva o desenvolvimento do e-sport brasileiro.
Todo profissional começa em algum lugar
Sabemos que os olhos estão voltados para os grandes campeonatos, mas é nos torneios de base que o futuro dos e-sports começa de fato. É nessa base que se apresenta o primeiro espaço para que jogadores e profissionais desenvolvam habilidades, ganhem experiência e encontrem oportunidades para crescer neste mercado.
Para o CEO da Liga GG, o primeiro passo é o mais importante.
“Muita gente espera estar pronta para competir, mas é competindo que se aprende. Todo profissional começou como iniciante. O importante é dar o primeiro passo e aproveitar cada oportunidade para evoluir.”
Ao passo que o cenário de e-sport brasileiro continua crescendo, investir na base é fortalecer toda a estrutura que sustenta esse mercado. Mais do que revelar novos talentos, esses campeonatos formam profissionais, aproximam comunidades e ajudam a construir um cenário competitivo cada vez mais sólido.
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