O Vale do Silício viveu as 48 horas mais frenéticas de sua história recente entre 26 e 27 de fevereiro de 2026. O que começou como uma disputa contratual terminou com uma empresa americana declarada como “risco à segurança nacional” (algo sem precedentes nos Estados Unidos). E sua maior rival instalada no centro do comando militar do país.
O cabo de guerra começou quando o CEO da Anthropic, Dario Amodei, declarou que “não poderia, em sã consciência, acatar” as exigências do Pentágono. O Departamento de Defesa (também chamado de Departamento de Guerra) exigia a remoção de salvaguardas do Claude, modelo de inteligência artificial (IA) da empresa, contra vigilância doméstica em massa e uso em armas letais autônomas.
A resistência de Amodei desencadeou uma ofensiva inédita. Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, atacava a Anthropic nas redes sociais, o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, designava a empresa como “risco à cadeia de suprimentos”. Na prática, o rótulo é uma tentativa de “assassinato corporativo”, algo historicamente reservado a adversários estrangeiros, como a China.
Horas após a Anthropic virar “empresa non grata” nos EUA, o CEO da OpenAI, Sam Altman, anunciou um acordo com o Pentágono no qual a empresa aceitava os termos de “todo uso lícito” que sua rival tinha rejeitado. Em dois dias, a fronteira dessa tecnologia se dividiu entre dogmatismo da ética e pragmatismo do poder.
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