A fabricante chinesa de chips de memória, Changxin Technology Group (CXMT), tornou-se, nesta segunda-feira (27), a empresa de maior valor de mercado listada nas bolsas da China continental após estrear no segmento STAR Market, em Xangai, com uma valorização próxima de 500%. O desempenho ocorre em um momento de forte demanda global por chips de memória impulsionada pela expansão da inteligência artificial.
Com sede em Hefei, a companhia levantou 57,92 bilhões de yuans (US$ 8,6 bilhões) em sua oferta pública inicial e pretende direcionar os recursos principalmente para ampliar sua capacidade de produção de wafers de memória e acelerar projetos de pesquisa e desenvolvimento. A empresa busca fortalecer sua posição no mercado global de semicondutores.
A estreia reforça a expectativa de investidores de que fabricantes de memória possam ampliar sua participação em um setor dominado por empresas sul-coreanas e norte-americanas, enquanto a China intensifica seus esforços para desenvolver uma indústria nacional de chips.
Inteligência artificial amplia interesse por fabricantes de memória

A valorização expressiva das ações elevou o valor de mercado da CXMT para cerca de 3,3 trilhões de yuans, ultrapassando o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) entre as empresas listadas no país. A companhia já ocupa a quarta posição mundial no mercado de memórias DRAM, com participação próxima de 8%, segundo informações apresentadas em seu prospecto de oferta pública.
Os chips DRAM são empregados em diversos equipamentos eletrônicos, desde smartphones até servidores. O crescimento da infraestrutura voltada à inteligência artificial ampliou a procura por esse tipo de componente, pressionando a oferta global e favorecendo fabricantes especializados em memória.
Para Larry Yang, economista-chefe da First Seafront Fund Management, o desempenho das ações reflete a confiança do mercado na principal fabricante chinesa de memórias. “Reflete o sentimento extremamente otimista dos investidores em relação à principal empresa doméstica chinesa de chips de memória“, explicou em entrevista à AFP.
Segundo o economista, a abertura de capital fortalece a capacidade financeira da empresa para ampliar sua produção e investir no desenvolvimento de novas tecnologias, além de contribuir para aumentar sua presença internacional.

A avaliação também é compartilhada por Zhang Guobin, fundador do portal especializado chinês eetrend.com. “É um ponto de virada para a indústria global de armazenamento e para a trajetória de desenvolvimento do setor de semicondutores da China.”
O avanço da empresa acontece em meio ao esforço do governo chinês para ampliar a produção doméstica de semicondutores considerados estratégicos para a corrida tecnológica envolvendo inteligência artificial. Nesse contexto, empresas locais tendem a ganhar espaço à medida que cresce a demanda por componentes desenvolvidos no próprio país.
O interesse pela companhia também aumentou após relatos de que a Apple estaria avaliando chips DRAM da fabricante para utilização em aparelhos comercializados no mercado chinês, como alternativa para enfrentar a escassez desses componentes.
Na avaliação de Ellie Wang, analista da consultoria TrendForce, a empresa chinesa reúne condições para desafiar as três líderes mundiais do segmento.
A especialista acrescentou que a diversificação de fornecedores, motivada pela escassez global de memórias, pode abrir novas oportunidades para a companhia. Ainda assim, ponderou que os investimentos financiados pela oferta pública não devem resolver o desequilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo, já que a expansão da capacidade produtiva costuma levar pelo menos um ano.
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