Covid-19: Anvisa exige vacinas atualizadas contra novas cepas

Covid-19: Anvisa exige vacinas atualizadas contra novas cepas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma nova instrução normativa que obriga os fabricantes a atualizarem a composição das vacinas contra a Covid-19 usadas no Brasil. A partir de agora, os imunizantes deverão ser monovalentes e adaptados para combater as linhagens mais recentes do coronavírus em circulação.

A medida – instrução normativa número 454, publicada na página 113 da edição desta quinta-feira (09) do Diário Oficial da União – visa alinhar a proteção imunológica da população às mutações genéticas do SARS-CoV-2. Ela estabelece que os novos lotes tenham como alvo a cepa LP.8.1 ou antígenos derivados da linhagem JN.1 (como XFG e NB.1.8.1). 

(Um imunizante monovalente é aquele projetado para combater apenas uma cepa ou variante de um vírus ou bactéria.)

O texto regulatório também define que os estoques antigos da vacina não precisam ser descartados imediatamente. Eles têm um prazo limite de utilização de até nove meses após a aprovação da atualização de cada fabricante.

Por que a Anvisa determinou a atualização das vacinas contra Covid-19

Essa dinâmica de atualização constante funciona de forma semelhante ao que já acontece anualmente com a vacina da gripe. O vírus da Covid-19 sofre mutações contínuas que alteram sua estrutura e permitem que ele escape parcialmente das defesas geradas por infecções passadas ou por imunizantes defasados. A reformulação não significa que as doses antigas perderam o efeito, mas garante que as novas induzam uma resposta imune mais eficiente.

Vírus da Covid-19 se dividindo em dois novos vírus
O vírus da Covid-19 sofre mutações que alteram sua estrutura e permitem que ele escape de defesas – Imagem: NiseriN/iStock

Para se adequarem à nova regra, as indústrias farmacêuticas responsáveis pelas vacinas deverão submeter um pedido formal de modificação de fórmula à Anvisa. Esse processo exige a entrega de dados sobre o processo de produção, controle de qualidade do imunizante reformulado, testes laboratoriais específicos e, quando necessário, novos dados de segurança e eficácia clínica.

A agência reguladora informou que vai acelerar a análise desses pedidos adotando critérios internacionais e considerando o histórico acumulado de segurança de cada plataforma vacinal. Isso significa que, por se tratar de um ajuste em uma tecnologia já exaustivamente testada e aprovada, o fluxo de liberação das novas versões ocorre de maneira mais ágil, sem a necessidade de refazer as fases de testes do zero.

Com essa decisão, o Brasil consolida o modelo de vigilância genômica e imunização contínua após a fase crítica da pandemia de Covid. Em vez de criar um produto totalmente novo a cada surto, a medicina diagnóstica e a indústria adaptam as ferramentas existentes em tempo real. O objetivo é garantir que o Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede privada distribuam compostos atualizados e eficazes contra as ameaças do momento.

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