Data centers usados para inteligência artificial estão consumindo muito mais água do que as big techs costumam divulgar, segundo reportagem do The Wall Street Journal.
O ponto central não está só no resfriamento dos servidores, mas também na água usada para gerar a energia que mantém toda essa estrutura funcionando.

O avanço da IA e o consumo que não aparece
A expansão acelerada da inteligência artificial levou empresas como Microsoft, Google e Amazon a ampliar sua infraestrutura de data centers em ritmo global. O que chama atenção, segundo a reportagem, é que parte relevante do impacto ambiental fica fora dos relatórios oficiais.
Esses documentos costumam registrar apenas a água usada diretamente nos centros de dados. Mas existe um segundo nível de consumo, ligado às usinas de energia que alimentam essas operações. Em alguns casos, ele pode superar o uso direto com folga.
Estudos nos Estados Unidos indicam que esse consumo indireto pode chegar a ser até 12 vezes maior do que o declarado, dependendo da matriz energética utilizada.

Energia, água e um efeito em cadeia
O impacto varia bastante conforme a fonte de energia. Usinas a carvão e nucleares exigem grandes volumes de água para resfriamento. Já o gás natural reduz esse uso, enquanto solar e eólica praticamente não dependem de água.
Um estudo citado pela reportagem aponta que, no caso do Google, o consumo indireto pode ser cerca de três vezes maior do que o direto.
- Resfriamento dos servidores representa o consumo mais visível
- Geração de energia pode ampliar o impacto total de forma significativa
- Combustíveis fósseis elevam a demanda por água
- Fontes renováveis reduzem quase totalmente esse consumo
- Parte relevante do impacto não entra nos relatórios corporativos
O problema da transparência limitada
Hoje, não existe exigência legal para que empresas divulguem todo o consumo de água ligado à IA. Isso abre margem para críticas de especialistas e autoridades ambientais, que apontam subnotificação frequente.
A Meta, por exemplo, já reconheceu que seu consumo indireto pode ser mais de 20 vezes maior do que o direto. Ainda assim, a maior parte das empresas continua focando apenas no uso interno dos data centers.

Soluções começam a ganhar espaço
Para reduzir o impacto, empresas têm apostado em sistemas de resfriamento em circuito fechado, que reaproveitam a água em vez de descartá-la continuamente.
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A Nvidia afirma que essa tecnologia pode praticamente eliminar o consumo direto de água em novas instalações. A Microsoft também planeja adotar soluções semelhantes nos próximos anos.
Mesmo com essas iniciativas, boa parte da infraestrutura atual ainda depende de sistemas evaporativos, que consomem mais água, apesar de eficientes em energia.
No fim, o crescimento da inteligência artificial reforça um dilema direto: quanto mais poder computacional, maior a pressão sobre recursos naturais já limitados.
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