Desenrola Brasil: veja como anúncios falsos tentam enganar usuários

Desenrola Brasil: veja como anúncios falsos tentam enganar usuários

Usuários de redes sociais estão sendo atraídos por anúncios falsos que usam o nome do Desenrola Brasil para aplicar golpes. As páginas prometem facilitar a negociação de dívidas, mas tentam capturar dados pessoais e levar vítimas até contatos controlados por criminosos.

Segundo a Agência Brasil, um levantamento do Netlab, da UFRJ, encontrou 544 anúncios fraudulentos publicados entre abril e junho nas plataformas da Meta, como Facebook, Instagram, WhatsApp, Threads e Messenger.

Ícones dos aplicativos do Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger, redes sociais da Meta, em tela inicial de um iPhone colocado sobre teclado de notebook
Quase 4 em cada 10 anúncios analisados tinham conteúdo criado com inteligência artificial, segundo levantamento da UFRJ Imagem: miss.cabul/Shutterstock

Golpistas aproveitam programa conhecido para enganar usuários

O estudo do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou 48 páginas responsáveis pela divulgação das campanhas falsas.

Do total analisado, 278 anúncios usavam o nome oficial do Desenrola Brasil. Outros 264 divulgavam um programa inexistente chamado Libera Brasil. Uma das páginas chegou a misturar os dois nomes para parecer uma comunicação legítima.

Criado em 2023, o Desenrola Brasil foi lançado para facilitar a renegociação de dívidas dos consumidores. De acordo com o Netlab, a circulação dos anúncios falsos aumentou após a divulgação da nova versão do programa, em maio.

Entre as estratégias usadas pelos criminosos estão:

  • Uso indevido do nome e da imagem do governo ou de marcas conhecidas;
  • Links que imitam páginas oficiais para capturar informações;
  • Promessas de soluções financeiras rápidas;
  • Mensagens que criam sensação de urgência;
  • Conteúdos produzidos com inteligência artificial.

As pessoas não sabem que tantos anúncios fraudulentos estão circulando nas redes sociais sem nenhum tipo de fiscalização, de filtro ou de sistema de segurança.

Marie Santini, diretora do Netlab, à Agência Brasil.

Ela explica que a dificuldade está no fato de que anúncios verdadeiros e falsos aparecem lado a lado nas mesmas plataformas.

Sites falsos tentam coletar informações pessoais

Ao clicar nos anúncios, os usuários podem ser direcionados para páginas criadas pelos golpistas. Nesses ambientes, a tentativa é obter dados pessoais e sigilosos ou conduzir a vítima para conversas pelo WhatsApp.

O levantamento apontou que 72% dos anúncios analisados utilizavam indevidamente nomes ou imagens do governo e de marcas privadas. Além disso, 19,1% levavam a links que simulavam canais oficiais, enquanto 38,1% apresentavam conteúdo gerado por inteligência artificial.

Segundo os pesquisadores, essas técnicas tornam os golpes mais convincentes e dificultam a identificação de uma fraude.

Homem olha preocupado para a tela de um smartphone enquanto está sentado em um sofá
Os criminosos usam promessas de soluções financeiras rápidas para atrair pessoas em busca de renegociar dívidas. – Imagem: MAYA LAB/Shutterstock

Meta afirma adotar medidas contra golpes

Em nota, a Meta informou que combate fraudes online com o uso de inteligência artificial, modelos de linguagem de grande escala (LLMs), reconhecimento facial e revisão humana.

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A empresa afirmou ainda que remove conteúdos que violam suas regras. “Usamos uma combinação de tecnologia e revisão humana para identificar e remover conteúdos violadores”, declarou.

O levantamento mostra que criminosos continuam explorando programas conhecidos para tentar enganar usuários. Por isso, antes de fornecer informações ou acessar links recebidos por anúncios, é importante conferir se a comunicação realmente vem de um canal oficial.

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