Disputa por IA ameaça acordo de segurança entre EUA e China

Disputa por IA ameaça acordo de segurança entre EUA e China

A corrida pela inteligência artificial ganhou um novo atrito entre Estados Unidos e China. Acusações contra empresas chinesas e possíveis sanções levantam dúvidas sobre o futuro da cooperação para criar padrões de segurança para modelos avançados.

Segundo a Reuters, especialistas avaliam que a disputa acontece em um momento delicado, quando sistemas mais poderosos aumentam preocupações com ataques cibernéticos e outros usos mal-intencionados.

Pessoa utilizando ferramentas de inteligência artificial em um notebook.
Modelos de IA cada vez mais avançados levantam uma pergunta: como garantir segurança sem frear a inovação? – Imagem: vittaya pinpan / Shutterstock

Acusação contra Moonshot aumenta pressão sobre a China

O governo americano acusou o laboratório chinês Moonshot de ter desenvolvido o modelo Kimi K3 usando técnicas de destilação a partir do Fable 5, da Anthropic. A tecnologia permite aproveitar respostas de modelos mais avançados para treinar novas ferramentas, reduzindo custos de desenvolvimento.

A denúncia levou o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, a mencionar a possibilidade de sanções. O Departamento de Comércio americano também investiga se empresas chinesas acessaram chips avançados de forma irregular para treinar seus sistemas.

A tensão envolve uma disputa maior: os dois países querem liderar o avanço da IA, mas também precisam lidar com riscos relacionados ao uso dessas tecnologias.

Entre as principais preocupações estão:

  • uso de modelos avançados em ataques cibernéticos;
  • dificuldade de controlar ferramentas de código aberto;
  • ausência de padrões globais de segurança;
  • alterações feitas nos sistemas após o lançamento.

Dependendo do número de empresas chinesas atingidas e da natureza das ações punitivas tomadas, a retaliação tem potencial para inviabilizar tanto o diálogo sobre IA quanto a reunião de 24 de setembro entre os presidentes Trump e Xi.

Paul Triolo, sócio do DGA-Albright Stonebridge Group, à Reuters.
Aplicativo da Kimi K3 em uma loja
A acusação contra a chinesa Moonshot colocou a corrida global pela inteligência artificial no centro das atenções. – Imagem: Robert Way/Shutterstock

Modelos abertos entram no debate sobre riscos

Os chamados modelos open-weight, que podem ser baixados, modificados e redistribuídos, também estão no centro das discussões. Segundo especialistas, esse formato dificulta o controle sobre mudanças feitas depois que a tecnologia chega aos usuários.

A Hugging Face utilizou recentemente o modelo chinês GLM-5.2 para conter um ataque cibernético realizado por um agente da OpenAI durante testes de segurança. O caso chamou atenção porque mostrou uma situação em que uma ferramenta aberta conseguiu atuar onde sistemas fechados tinham limitações.

O pesquisador Yoshua Bengio defendeu avaliações mais rigorosas antes da liberação desses modelos.

“O lógico é encontrar uma boa avaliação desses modelos, compartilhar os modelos que não são muito perigosos e não compartilhar aqueles acima do limite de risco”, afirmou.

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Modelos de código aberto podem ser modificados por qualquer pessoa, mas também trazem novos desafios de segurança. – Imagem: Pedro Spadoni via Gemini/Olhar Digital

EUA e China divergem sobre regras futuras

Na China, modelos de IA precisam passar por avaliações de segurança e conteúdo antes do lançamento, mas as regras atuais não abrangem todas as modificações feitas posteriormente. Nos Estados Unidos, empresas podem enviar seus sistemas voluntariamente para testes do Center for AI Standards and Innovation (CAISI).

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O debate também divide o setor americano. Algumas empresas defendem medidas contra modelos chineses de baixo custo, enquanto representantes do governo alertam que restrições excessivas podem prejudicar a inovação.

David Sacks, conselheiro de IA da Casa Branca, afirmou que grandes laboratórios americanos querem eliminar concorrentes de código aberto e defendeu uma disputa mais equilibrada.

A disputa entre Washington e Pequim mostra que a corrida pela inteligência artificial envolve mais do que criar modelos poderosos. O futuro da segurança da tecnologia dependerá da capacidade dos países de manter algum nível de cooperação mesmo em meio à competição.

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