A diretora financeira (CFO) da OpenAI, Sarah Friar, manifestou preocupações com o plano do CEO da empresa, Sam Altman, de abrir uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no quarto trimestre de 2026, revelou o The Information.
Friar sustenta que a companhia ainda carece de organização interna e processos burocráticos necessários para a estreia no mercado de capitais, levantando “bandeiras vermelhas” sobre a viabilidade desse cronograma agressivo.
Para quem não sabe: IPO é quando uma empresa deixa de ser “fechada” (de poucos donos) e passa a vender fatias de si mesma (ações) para qualquer pessoa na Bolsa de Valores.
O impasse ganha relevância diante da necessidade de sustentar uma infraestrutura tecnológica sem precedentes, mesmo após a OpenAI atrair US$ 122 bilhões (aproximadamente R$ 628 bilhões) em financiamento recentemente, o que consolidou seu valor de mercado de US$ 852 bilhões (R$ 4,3 trilhões).
A disputa central reside no equilíbrio entre a expansão acelerada para manter a liderança em inteligência artificial (IA) e a construção de um modelo de negócio financeiramente sustentável e transparente para investidores.
Estrutura financeira e atritos internos ameaçam meta da OpenAI de valuation de US$ 1 trilhão
O plano de investimento projetado pela liderança da OpenAI prevê o gasto de US$ 600 bilhões (R$ 3 trilhões) em infraestrutura de servidores nos próximos cinco anos.
Sarah Friar questiona se a desaceleração no crescimento da receita será suficiente para cobrir compromissos dessa magnitude, especialmente com a estimativa de que a empresa precise queimar mais de US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão) antes de atingir um fluxo de caixa positivo.
A tensão entre os executivos também se reflete em mudanças na estrutura hierárquica e operacional da startup desenvolvedora do ChatGPT.

Friar deixou de responder diretamente a Altman, passando a reportar-se a Fidji Simo, responsável pelo braço de aplicativos da OpenAI (Simo se afastou recentemente por motivos de saúde).
Relatos indicam que a CFO tem sido excluída de discussões financeiras cruciais, como negociações sobre gastos com servidores. Isso sinaliza fragmentação na tomada de decisão num momento em que o mercado exige transparência institucional.
O cenário competitivo externo aumenta a urgência de Altman, que busca o IPO para captar recursos e reduzir a dependência da Microsoft. A rival Anthropic planeja sua abertura de capital para outubro, o que poderia drenar parte da liquidez disponível para o setor de IA.
Além disso, o Gemini, do Google, tem desafiado a fatia de mercado do ChatGPT no segmento de chatbots para usuários comuns. E a Anthropic já supera a OpenAI em vendas de modelos para desenvolvedores e empresas.
Internamente, a OpenAI enfrenta uma debandada de talentos e reestruturação de cargos em níveis seniores. A diretora de marketing, Kate Rouch, por exemplo, anunciou sua saída para tratar problemas de saúde. Já o COO Brad Lightcap foi deslocado para um novo cargo focado em projetos especiais e parcerias com firmas de private equity.
Essas movimentações aumentam as incertezas sobre a prontidão operacional mencionada por Friar, visto que um IPO exige uma governança corporativa estável e departamentos jurídicos e financeiros robustos.
Caso as projeções mais otimistas de Altman se concretizem, a abertura de capital poderá fazer com que o valor de mercado da OpenAI chegue a US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões).
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