Documentário sobre Elon Musk usa IA para criar avatar do bilionário

Documentário sobre Elon Musk usa IA para criar avatar do bilionário

Um novo documentário sobre Elon Musk virou assunto no Festival de Veneza ao usar inteligência artificial para simular uma entrevista com o próprio bilionário. A equipe do filme recriou a imagem e a voz do empresário para reproduzir declarações dadas por ele em outras ocasiões.

O diretor Alex Gibney, vencedor do Oscar, explicou que a equipe consultou advogados antes de usar o avatar digital e recebeu autorização para isso. A ideia é provocar uma reflexão sobre a visão de Musk a respeito da tecnologia e sobre suas posições em relação aos algoritmos.

elon musk
As falas do avatar não são novas: foram montadas a partir de declarações reais de Musk. – Crédito: SpaceX

Entrevista sintética e provocação conceitual

A opção pela figura criada por computador foi proposital. Segundo Alex Gibney, a estratégia ironiza a tese defendida pelo empresário de que a humanidade vive em uma simulação, criando um contraste entre as falas reais do bilionário e sua versão virtual.

O cineasta afirmou que o objetivo é transmitir a “realidade do que ele fez e a irrealidade de sua narrativa”.

Advogados foram consultados antes de avançar com a ideia e receberam autorização para utilizar o avatar de Musk. A produção usa declarações que o empresário realmente deu em outras entrevistas, em vez de criar novas falas para a versão digital.

Revelações pessoais e críticas ao X

Ashley St. Clair, ex-influenciadora conservadora que tem um filho com Musk, aparece no documentário e fala sobre o relacionamento entre os dois, a personalidade do empresário e um acordo de confidencialidade que lhe foi apresentado em relação ao pagamento de pensão.

Foi-me oferecida a oportunidade de não falar por US$ 40 milhões.

Ashley St. Clair, ex-influenciadora conservadora, em trecho do documentário.

A produção também reúne outros depoimentos e aborda diferentes momentos da trajetória de Musk:

  • Mudança no algoritmo: Gibney e a jornalista Zoë Schiffer criticam alterações no algoritmo do X, antigo Twitter.
  • Informações de cidadãos: O filme levanta preocupações sobre as informações coletadas sobre cidadãos americanos por integrantes do DOGE, que tiveram amplo acesso a agências do governo dos EUA.
  • Trajetória pessoal: Participam do documentário Errol Musk, pai do empresário; Justine Musk, primeira mulher de Musk; e Martin Eberhard, cofundador da Tesla.
Silhueta de Elon Musk contrastando com o logo do Twitter ao fundo
O longa-metragem examina os impactos das mudanças promovidas por Musk no algoritmo da rede social X. Imagem: kovop/Shutterstock

Críticas ao controle da rede

A obra aborda a aquisição do X por Musk e o que Gibney descreve como uma manipulação do algoritmo da plataforma.

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“Uma coisa que eu não entendia corretamente quando comecei o filme era como Musk ajustou os algoritmos do Twitter para, na verdade, priorizar a hostilidade e o ódio em vez daquilo que deveria ser uma praça pública.”

Zoë Schiffer, jornalista da Wired que também participa do documentário, afirmou que Musk ajustou o algoritmo “tanto para reduzir a presença do jornalismo tradicional quanto para ampliar alguns dos comentários e das vozes mais inflamatórias da plataforma”.

Com quase quatro horas de duração, o filme passa pela infância de Musk, seus primeiros anos no Vale do Silício, sua atuação no DOGE durante o segundo governo de Donald Trump e sua participação na política de direita internacional. “Musk” chega aos cinemas em outubro.

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