Duas chuvas de meteoros podem ser vistas nos próximos dias; veja quando será mais fácil observar

Duas chuvas de meteoros podem ser vistas nos próximos dias; veja quando será mais fácil observar

Os próximos dias reservam um espetáculo incrível para observarmos no céu. Na verdade, dois: as chuvas de meteoros Dracônidas e Táuridas do Sul. 

Chuvas de meteoros acontecem quando a Terra atravessa uma nuvem de detritos deixados por cometas. No caso da Dracônidas, esses fragmentos são provenientes do cometa 21P/Giacobini-Zinner. O nome dessa chuva é relacionado à constelação de Draco (ou Dragão), onde está localizado seu radiante, mais especificamente perto da cabeça do dragão.

Já os meteoros do enxame Táuridas são formados pelos fragmentos do 2P/Encke, o segundo cometa periódico a ser descoberto (o primeiro foi o famoso 1P/Halley). O radiante dessa chuva fica na constelação de Touro (daí seu nome).

Cometas periódicos orbitam de forma regular no Sistema Solar, sem se aproximarem tanto do Sol a ponto de se desintegrarem. Como os detritos são maiores que a média, muitas vezes eles produzem bolas de fogo coloridas quando atravessam a atmosfera da Terra.

A chuva de meteoros Dracônidas não é muito significativa em termos de quantidade de ocorrências por hora. – Crédito: Officina23 – Shutterstock

Sobre a chuva de meteoros Dracônidas

Dracônidas é uma chuva de curta duração, que todos os anos fica ativa entre 6 e 10 de outubro. De acordo com o guia de observação astronômica InTheSky.org, a melhor oportunidade de visualização é na sexta-feira (9), quando ocorre o pico de atividade. 

Além de breve, o evento também é muito discreto no Hemisfério Sul, já que Draco é uma constelação do norte celeste.

Imagem composta de um surto da chuva de meteoros Dracônidas sobre Modra, na Eslováquia, em 8 de outubro de 2018. – Crédito: Composição adquirida via AMOS (Automatic Meteor Orbit System Camera) pelo astrônomo Juraj Tóth.

“Ela praticamente não pode ser vista no Brasil. E, mesmo que fosse, é uma chuva muito fraca”, afirma Marcelo Zurita, colunista do Olhar Digital, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon). “Mesmo no Hemisfério Norte, onde a visualização é mais fácil, aparecem apenas um ou dois meteoros por hora. Aqui, será muita sorte se alguém conseguir registrar algum, embora a escuridão do céu com a Lua no fim da fase minguante seja favorável”.

Zurita diz que a astronomia classifica a Dracônidas como uma chuva de meteoros “menor”, devido à sua baixa taxa de ocorrências (cerca de apenas 10) por hora. “Sabemos que ela acontece, mas sua intensidade é tão reduzida que não justifica qualquer esforço significativo de observação.”

Semana traz pico inicial da Táuridas do Sul

A chuva de meteoros Táuridas do Sul também é fraca, mas tem duração mais longa, sendo ativa entre 10 de setembro e 20 de novembro, segundo o InTheSky. 

Embora o pico de atividade seja em 5 de novembro, há uma máxima inicial prevista para sábado (10), de acordo com o guia de observação StarWalk. 

Um meteoro da chuva Táuridas fotografado em 2015 no Quênia. Crédito: Babak Tafreshi (TWAN) via APOD NASA

Em condições ideais, o pico antecipado costuma produzir cerca de cinco meteoros por hora. Na ocasião, a Lua estará no primeiro dia da fase nova, com o céu propício para observações astronômicas – cenário que se repete mês que vem, durante a verdadeira máxima.

Além disso, o Calendário de Chuvas de Meteoros da IMO para 2026 indica que este ano a atividade pode ficar um pouco acima da média, aumentando as chances de ver “bolas de fogo” no céu – meteoros extremamente brilhantes que podem superar o brilho de Vênus e durar mais tempo.

Conforme mencionado anteriormente, o radiante da Táuridas do Sul é na constelação de Touro, mais precisamente nas proximidades da estrela alaranjada Aldebaran. No entanto, ele se desloca lentamente ao longo das semanas, podendo parecer próximo do limite entre Touro e Cetus no início da atividade (final de setembro e começo de outubro).

Chuva de meteoros Táuridas do Sul vista em outubro de 2020 sobre a Estação Bharati, na Antártica, acompanhada das luzes da aurora austral, com Marte à direita. – Crédito: Ankush Magotra/Reprodução X

Como ver as chuvas de meteoros

Quem quiser tentar ver meteoros esta semana, mesmo sabendo que as duas chuvas não são tão significativas, deve procurar fugir da poluição luminosa das cidades e ir para lugares onde o céu esteja o mais escuro possível.

Ao cair da noite, até por volta das 20h (pelo horário de Brasília), é o melhor momento para ver os meteoros Draconídeos, pois o radiante culmina no céu no fim da tarde, estando ainda alto o suficiente até pouco depois do pôr do Sol.

Já a chuva Táuridas do Sul provavelmente produzirá as melhores exibições entre 1h e 3h da manhã, quando seu ponto radiante estará mais alto.

Um app de observação, como Stellarium, Star Walk ou Sky Safari, por exemplo, ajuda a localizar as constelações Draco, Touro e Cetus para procurar “estrelas cadentes” – e não se esqueça de fazer o seu pedido, como manda a tradição. Boa sorte! 

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