Segundo o Live Science, um povo conhecido como dauniano produziu recipientes cerâmicos que hoje ajudam arqueólogos a reconstruir aspectos de uma sociedade ainda pouco compreendida. Isso ocorrera muito antes da expansão romana pelo sul da Itália e um dos exemplos de artefatos mais emblemáticos é o chamado kyathos dauniano, peça criada no século VI a.C. e descoberta na região de Foggia.
O objeto chama a atenção pelo formato incomum: uma espécie de tigela rasa com alça moldada na forma de uma figura humana de olhos arregalados e braços erguidos. Pesquisadores acreditam que o artefato poderia ter sido utilizado tanto em práticas sociais ligadas ao vinho quanto em cerimônias de caráter religioso ou medicinal.
A hipótese ganhou força após estudos recentes (leia aqui) identificarem resíduos de alcaloides do ópio em cerâmicas daunianas. A descoberta levantou a possibilidade de que esses recipientes fossem empregados na preparação de substâncias capazes de induzir estados de transe ou aliviar dores; sendo este primeiro comum durante rituais.
Para quem tem pressa:
- Um recipiente cerâmico criado por um povo pré-romano do sul da Itália voltou ao centro das atenções por seu visual incomum e função ainda debatida;
- Pesquisas recentes encontraram vestígios associados ao ópio em peças daunianas, ampliando as hipóteses sobre usos religiosos e medicinais;
- Sem registros escritos deixados pelos daunianos, arqueólogos dependem de objetos e escavações para reconstruir a história desse grupo antigo.
Escavações ajudam a entender sociedade desaparecida

Os daunianos ocuparam parte do atual sul da Itália séculos antes da consolidação do domínio romano na região.
Apesar da relevância histórica do grupo, poucas informações sobreviveram ao tempo porque essa população não deixou documentos escritos conhecidos. Por isso, vestígios arqueológicos tornaram-se fundamentais para compreender seus hábitos, crenças e formas de organização.
Uma das principais fontes desse conhecimento surgiu nas escavações realizadas durante décadas em Herdonia, antiga cidade dauniana localizada onde hoje fica a província italiana de Foggia. No local, arqueólogos encontraram recipientes considerados entre os exemplares mais sofisticados da cerâmica produzida na Itália antes do período romano.

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Entre essas peças está o kyathos dauniano, artefato marcado por elementos geométricos e pela presença de uma figura antropomórfica integrada à estrutura do recipiente (uma bacia rasa de cerâmica). O objeto possui base circular relativamente pequena e traz ainda representações estilizadas associadas a aves.
Especialistas divergem sobre a finalidade exata da peça. Uma das interpretações sustenta que ela servia para retirar e misturar vinho em celebrações, em função da semelhança com recipientes utilizados pelos gregos antigos. No entanto, diferenças no formato e na cronologia das peças daunianas impedem uma conclusão definitiva sobre esse uso.
Outra linha de pesquisa relaciona os recipientes a práticas ritualísticas e terapêuticas. Um estudo publicado em 2023 identificou substâncias associadas ao ópio em diferentes cerâmicas daunianas analisadas por cientistas.
O resultado reforçou a hipótese de que parte desses objetos pudesse ser empregada no preparo de compostos usados em cerimônias religiosas ou no tratamento da dor.
Atualmente, exemplares do kyathos dauniano estão preservados em museus italianos e também em coleções internacionais. Algumas dessas instituições incorporaram a imagem do objeto como símbolo da herança cultural ligada à antiga civilização dauniana.
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