Empregos em tecnologia se espalham pelo Brasil, mas São Paulo ainda domina

Empregos em tecnologia se espalham pelo Brasil, mas São Paulo ainda domina

O mercado de trabalho formal de tecnologia cresceu em todas as regiões brasileiras entre 2023 e 2025, mas o avanço foi mais intenso fora dos principais polos tradicionais do setor. O Norte registrou o maior crescimento no período, de 5,4%, seguido pelo Nordeste, com 3,8%, e pelo Centro-Oeste, com 3,2%. Os dados são do Relatório de Regionalização dos Empregos CLT de TIC, da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

Apesar do movimento de expansão territorial, o mercado continua concentrado no Sudeste. A região reunia 62,5% dos cerca de 943 mil empregos CLT em ocupações de TIC registrados em dezembro de 2025. O Sul aparecia na sequência, com 17,5%, enquanto Nordeste, Centro-Oeste e Norte respondiam por 9,5%, 6,7% e 3,8%, respectivamente.

Norte lidera crescimento de empregos de TIC

O Norte apresentou o maior avanço acumulado entre 2023 e 2025, com crescimento de 5,4% nos empregos formais de TIC. O Nordeste veio em segundo lugar, com 3,8%, e o Centro-Oeste registrou alta de 3,2%. No mesmo período, o Sul cresceu 3,1%, enquanto o Sudeste teve expansão de 2%.

Ranking das regiões brasileiras por número de empregos formais de TIC
Sudeste concentra 62,5% dos empregos formais de TIC no Brasil, enquanto Norte, Nordeste e Centro-Oeste registraram crescimento mais acelerado entre 2023 e 2025 – Imagem: Reprodução / Brasscom

A diferença aparece apesar da forte desigualdade na distribuição dos postos. Em dezembro de 2025, o Norte concentrava 36.079 empregos CLT de TIC, o equivalente a 3,8% do total nacional. O Nordeste tinha 89.643 postos, enquanto o Centro-Oeste reunia 62.782. Em outras palavras, as regiões que possuem menor participação no estoque nacional foram justamente algumas das que apresentaram os maiores ritmos de crescimento nos dois anos analisados.

Segundo a Brasscom, o movimento está associado à formação de novos ecossistemas tecnológicos em diferentes partes do país. Universidades, parques tecnológicos e políticas públicas de incentivo à inovação aparecem entre os fatores relacionados à expansão regional. A entidade também aponta uma tendência de interiorização das oportunidades, embora ressalte que ainda existem desigualdades de infraestrutura e capital humano entre as regiões.

São Paulo concentra quase metade dos empregos

O crescimento fora dos grandes centros não alterou, porém, a concentração histórica do mercado. O Sudeste tinha 588.943 empregos CLT de TIC em dezembro de 2025, mais de três vezes o número registrado no Sul, segunda região com maior participação. A remuneração média também era a maior entre as regiões, de R$ 6.802, contra R$ 4.972 no Sul, R$ 4.855 no Centro-Oeste, R$ 3.950 no Nordeste e R$ 2.715 no Norte. A média nacional era de R$ 5.888.

Ranking dos seis estados brasileiros com mais empregos formais de TIC
São Paulo concentra 420.996 empregos formais de TIC, seguido por Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – Imagem: Reprodução / Brasscom

São Paulo concentra a maior parcela individual dos empregos formais de TIC. O estado tinha 420.996 postos em dezembro de 2025, equivalentes a 44,7% do total brasileiro. Minas Gerais aparecia em segundo, com 83.854 empregos (8,9%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 71.277 (7,6%). Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná completavam as seis maiores concentrações, com 59.461, 54.311 e 51.610 postos, respectivamente. Juntos, os seis estados respondiam por 78,6% dos empregos CLT de TIC do país.

Mesmo dentro dos estados mais concentrados, o relatório identifica sinais de descentralização. Em São Paulo, por exemplo, a Brasscom aponta a existência de polos emergentes no interior, favorecidos por custos menores e incentivos locais. Em Minas Gerais, a região metropolitana de Belo Horizonte aparece como principal destaque.

Desenvolvimento de sistemas lidera entre as ocupações

No recorte das principais ocupações de TIC, o analista de desenvolvimento de sistemas aparece na primeira posição, com 252.903 empregos CLT e salário médio de R$ 8.337 em 2025. A ocupação representava 26,8% do total analisado. Em segundo lugar estava o analista de suporte computacional, com 114.663 empregos e salário médio de R$ 3.990.

O ranking segue com programador de sistemas de informação, que tinha 101.593 postos e salário médio de R$ 5.496; técnico de apoio ao usuário de informática, o helpdesk, com 92.505 empregos e média de R$ 2.334; e técnico eletrônico, com 58.494 postos e salário médio de R$ 2.644.

Ranking das cinco ocupações de TIC com mais empregos formais no Brasil
Analista de desenvolvimento de sistemas lidera entre as ocupações de TIC, com 252.903 empregos formais e salário médio de R$ 8.337 – Imagem: Reprodução / Brasscom

O helpdesk chama atenção também pela geração de empregos. A ocupação criou 7.089 postos em 2025, o maior saldo entre as cinco funções do ranking. O analista de desenvolvimento de sistemas gerou 6.039 empregos, enquanto programador de sistemas de informação abriu 2.598 vagas, analista de suporte computacional teve saldo de 2.707 e técnico eletrônico, de 745.

No recorte por áreas, desenvolvimento de sistemas também aparece como a principal frente entre as cinco áreas de TIC analisadas. O relatório atribui à categoria 30,3% dos empregos considerados nesse recorte, seguida por suporte de TI (27%), manutenção e reparação (15,8%), programação (12,2%) e redes (5,6%).

O que os dados consideram como emprego de TIC

O levantamento da Brasscom não contabiliza todos os trabalhadores empregados por empresas de tecnologia. O estudo adota um recorte ocupacional, considerando empregos CLT em funções classificadas como diretamente relacionadas à área de TIC a partir da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Os dados foram extraídos da RAIS e do Caged e incluem funções como analistas e desenvolvedores de sistemas, programadores, profissionais de infraestrutura, cientistas de dados e técnicos de suporte.

Esse critério é diferente do levantamento setorial da Brasscom, que considera todos os trabalhadores contratados por empresas do setor, incluindo profissionais de áreas como vendas, logística, jurídico e administração. Nesse recorte mais amplo, citado no release da entidade, o setor reúne cerca de 2,1 milhões de empregos.

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