Empresa brasileira aposta que pagamento com a palma da mão pode virar o “novo Pix”

Empresa brasileira aposta que pagamento com a palma da mão pode virar o “novo Pix”

O Pix transformou a forma como os brasileiros realizam transferências e pagamentos. Agora, a Positivo Tecnologia aposta que outra inovação pode seguir um caminho parecido: a biometria da palma da mão. Para a empresa, a solução tem potencial para sair do campo das novidades e se integrar à rotina de consumidores, varejistas e bancos, reduzindo a dependência de senhas, cartões e celulares no dia a dia.

A aposta não é de que a palma da mão vá substituir o Pix como meio de pagamento, mas de que ela se torne uma nova camada de autenticação para transações financeiras e outros serviços. Em entrevista ao Olhar Digital, o vice-presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da companhia, Norberto Maraschin Filho, afirmou acreditar que a tecnologia pode repetir a trajetória de adoção do sistema de pagamentos instantâneos, impulsionada pela facilidade de uso, pela segurança e pela capacidade de integrar diferentes aplicações em uma única plataforma.

Para que a biometria funcione em larga escala, contudo, é indispensável que bancos, adquirentes e estabelecimentos comerciais adotem a novidade. Sem essa integração no ecossistema, a tecnologia corre o risco de permanecer restrita a projetos isolados. Ciente desse gargalo, a fabricante desenvolveu um módulo biométrico integrado aos terminais existentes sem elevar drasticamente os custos.

A solução é fruto de uma parceria estratégica com a gigante chinesa Tencent Cloud, dona da tecnologia de reconhecimento PalmAI, com a Positivo responsável pela fabricação do hardware e pela conexão do sistema ao mercado financeiro brasileiro.

Pessoa posiciona a palma da mão diante do terminal para realizar a leitura biométrica.
Positivo aposta que a integração da biometria da palma da mão às maquininhas pode acelerar a adoção da tecnologia no Brasil – Imagem: Positivo Tecnologia

Por que a Positivo compara a tecnologia ao Pix?

A comparação com o Pix não diz respeito ao funcionamento técnico, mas ao potencial de mercado. Na avaliação da Positivo, a biometria da palma da mão pode se consolidar como uma infraestrutura de autenticação usada em larga escala, simplificando pagamentos da mesma forma que o Pix transformou as transferências bancárias.

Maraschin projeta um processo gradual para essa transição. De acordo com o executivo, os primeiros projetos em maior escala devem começar ainda neste semestre, enquanto a expansão mais significativa está prevista para o próximo ano, conforme adquirentes, varejistas e órgãos públicos incorporem o sistema às suas operações.

“O brasileiro gosta muito de novas tecnologias”, pontuou o vice-presidente. “Eu acredito que essa tecnologia vai virar um Pix.” Para o executivo, a leitura biométrica elimina pontos clássicos de atrito nas transações, como a necessidade de memorizar senhas ou carregar carteiras, adicionando apenas entre 300 e 500 milissegundos ao processo — o que, segundo o executivo, permite autenticar o usuário sem comprometer o fluxo de atendimento no caixa.

A aplicação também vai além dos pagamentos. O executivo revelou que há conversas para utilização da plataforma em transporte público, eventos, aeroportos, hospitais e programas governamentais que exigem prova de vida ou validação de benefícios. Nesses cenários, a mão do usuário passa a funcionar como uma credencial única de identificação.

O baixo custo é a principal aposta da Positivo para ganhar escala

Desenvolver a tecnologia foi apenas parte do desafio. Para que a biometria da palma da mão se torne comum em supermercados, farmácias e eventos, a Positivo precisou resolver uma questão prática: o custo de implantação.

Em vez de exigir leitores dedicados e caros, a empresa brasileira optou por incorporar o módulo biométrico baseado na tecnologia da Tencent aos terminais de pagamento Android que o varejo já utiliza no dia a dia.

Terminal de pagamento com leitor biométrico de palma da mão desenvolvido pela Positivo Tecnologia.
A Positivo integrou o leitor biométrico de palma da mão ao próprio terminal de pagamento, eliminando a necessidade de um equipamento dedicado para a autenticação – Imagem: Positivo Tecnologia

“O módulo é super competitivo em preço. É para democratizar a tecnologia mesmo. Não é uma coisa proibitiva em preço. É uma coisa para ser barata mesmo”, reforçou Maraschin ao Olhar Digital. O executivo revelou que o impacto de incorporar a biometria da palma ao ponto de venda é de menos de US$ 100 por terminal — valor que, segundo o executivo, torna a modernização mais viável para adquirentes e atraente para o comércio.

Na avaliação da fabricante, o baixo custo, aliado à autenticação em cerca de meio segundo, deve facilitar a adoção do sistema em ambientes de grande circulação. Além disso, como a verificação e o pagamento ocorrem no próprio dispositivo, o equipamento centraliza a operação sem a necessidade de instalar leitores separados no balcão.

“Atingimos uma maturidade tecnológica capaz de entregar uma solução revolucionária na jornada do cliente. Integramos o módulo biométrico ao terminal sem elevar drasticamente os custos, simplificando a operação comercial e elevando o nível de segurança“, afirmou o vice-presidente.

A palma da mão pode abrir portas muito além dos pagamentos

Embora a estreia oficial aconteça por meio dos terminais de pagamento, a plataforma foi desenhada para funcionar como uma infraestrutura de autenticação. No varejo, a identificação instantânea pode substituir a digitação do CPF em programas de fidelidade, agilizar a checagem de idade na compra de bebidas alcoólicas e atender a futuras demandas da reforma tributária — como a identificação de beneficiários na devolução de impostos (cashback) sem o risco de fraudes por uso de CPFs de terceiros.

Projetos no setor público e na área da saúde também avançam, segundo Maraschin. A tecnologia vem sendo avaliada para a verificação de passageiros na entrada do país realizada pela Polícia Federal, além de projetos em discussão com operadoras de planos de saúde para controle de presença em atendimentos e a realização de provas de vida no INSS ou no Bolsa Família. Em comunicados à imprensa, a Positivo e a Tencent apontam ainda o potencial para identificação de pacientes em hospitais e laboratórios.

Ao conectar bancos, varejistas, órgãos públicos e prestadores de serviços em torno de uma credencial biométrica unificada, a companhia projeta alcançar bilhões de transações nos próximos anos. “É uma mudança de negócio muito bacana. Eu acredito que essa tecnologia vai virar um Pix”, afirmou Maraschin.

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