Empresas pedem pressa na aplicação de multa bilionária contra o Google na Europa

Empresas pedem pressa na aplicação de multa bilionária contra o Google na Europa

Um consórcio formado por veículos de comunicação, empresas de tecnologia e startups europeias enviou um apelo aos reguladores da União Europeia (UE) para que concluam uma investigação de dois anos contra o Google, revelou a Reuters nesta segunda-feira (16).

O grupo exige que o bloco aplique uma multa contra a Alphabet, empresa dona do Google, por supostamente manipular resultados de busca para favorecer seus próprios serviços em detrimento dos concorrentes.

O processo é o principal teste da Lei de Mercados Digitais (DMA), legislação criada para impedir que grandes empresas atuem como “donos do jogo”, controlando quem aparece ou não na internet. 

Aberta em março de 2024, a investigação tinha como meta durar um ano. O consórcio alega que a demora para emitir uma decisão final está asfixiando financeiramente empresas locais.

O impasse entre a regulação e o domínio de mercado

Na carta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, grupos de mídia influentes como Axel Springer (dono do site Politico) e News Corp afirmam que a credibilidade da UE está em risco. 

Eles pedem que o veredito seja anunciado já na próxima semana. E argumentam que a pressão política não deve servir para suavizar a aplicação das leis de concorrência.

Para essas empresas, o tempo é um fator de sobrevivência econômica. Elas alegam que cada dia de espera reduz a lucratividade de companhias europeias. Ainda segundo as companhias, isso impede investimentos e empurra negócios menores para a falência. 

Página de busca do Google visualizada através de uma lupa
Consórcio europeu alega que domínio da Alphabet, dona do Google, sobre o fluxo de informações na internet cria ambiente no qual rivais não conseguem crescer (Imagem: Mijansk786/Shutterstock)

O argumento central é que o domínio da Alphabet sobre o fluxo de informações na rede cria um ambiente no qual rivais não conseguem crescer.

Em contrapartida, o Google defende que já fez concessões significativas para acalmar os reguladores, mesmo com as mudanças prejudicando seu produto. 

Um porta-voz da empresa classificou as alterações feitas nas buscas como o “maior rebaixamento” (de qualidade) da história da companhia. Segundo esse porta-voz, o serviço agora oferece uma experiência pior aos cidadãos europeus apenas para satisfazer concorrentes.

A Comissão Europeia, que atua como o “xerife” do mercado, confirmou o recebimento da carta e declarou que busca encerrar o caso o mais rápido possível. 

O órgão já emitiu acusações formais contra a gigante americana em 2025. Mas a complexidade técnica do sistema de buscas tem arrastado a definição de uma penalidade financeira ou de uma ordem de interrupção definitiva.

Além da multa, as associações exigem uma decisão formal de não conformidade. Na prática, isso significaria declarar que as tentativas do Google de se adequar à lei foram insuficientes, o que forçaria a empresa a adotar medidas mais drásticas para garantir que sites de terceiros tenham a mesma visibilidade que os serviços da própria plataforma.

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