Empresas usam redes de operadoras para espionagem, alerta relatório

Empresas usam redes de operadoras para espionagem, alerta relatório

A Citizen Lab revelou que empresas de vigilância operam como “companhias fantasma” para explorar falhas na infraestrutura global de telecomunicações e rastrear celulares mundo afora. 

O relatório, publicado pela organização de direitos civis nesta quinta-feira (23), detalha campanhas de espionagem que usam vulnerabilidades em protocolos de rede para transformar dispositivos móveis em ferramentas de monitoramento sem que o usuário perceba.

Essas operações utilizam pontos de acesso em operadoras para ocultar a identidade de governos clientes e a origem dos ataques.

Vulnerabilidades em protocolos de rede e ataques silenciosos via SMS permitem monitoramento global

A base do problema reside no Signaling System 7 (SS7), conjunto de protocolos para redes 2G e 3G que não exige autenticação nem criptografia. 

Essa brecha técnica permite que agentes mal-intencionados geolocalizem aparelhos ao redor do mundo ao “pegar carona” na infraestrutura que as operadoras usam para rotear chamadas e mensagens.

Embora o protocolo Diameter tenha sido criado para trazer segurança às redes 4G e 5G, o Citizen Lab alerta que ele ainda é explorado devido a falhas na implementação das operadoras. 

Pessoa usando celular com símbolo de atenção vermelho em cima dele
Campanhas de espionagem exploraram vulnerabilidades em redes para transformar celulares em ferramentas de monitoramento sem os usuários perceberem – Imagem: Fah Studio 27/Shutterstock

Em muitos casos, invasores conseguem forçar o sistema a regredir para o antigo protocolo SS7, burlando as defesas mais recentes para manter o acesso aos dados.

Outro método identificado é o SIMjacker, que usa mensagens SMS invisíveis enviadas diretamente ao cartão SIM do alvo. 

Essas mensagens executam comandos que transformam o aparelho num rastreador de localização em tempo real, sem deixar qualquer vestígio ou notificação para o proprietário do celular.

As investigações apontaram que três operadoras – 019Mobile (Israel), Tango Networks U.K. (Reino Unido) e Airtel Jersey (Ilha de Jersey) – serviram como pontos de trânsito frequentes para essas atividades de espionagem. 

O uso dessas redes permitiu que fornecedores de inteligência, possivelmente sediados em Israel, monitorassem indivíduos “high profile“.

O pesquisador Gary Miller, um dos responsáveis pela elaboração do relatório, disse ao TechCrunch que o que foi descoberto é apenas a “ponta do iceberg”. Isso porque representa uma fração de milhões de ataques que ocorrem mundo afora. 

O relatório conclui que a operação é deliberada, possui financiamento robusto e demonstra uma integração profunda de empresas de vigilância no ecossistema de sinalização móvel global.

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