Um trio raro de furacões avança simultaneamente pelo Oceano Pacífico. O fenômeno ocorre em meio ao aquecimento das águas provocado por um El Niño de intensidade histórica, criando condições favoráveis para tempestades fortes.
A tempestade tropical Marie ganhou força e virou furacão, seguindo na esteira de Karina e Lowell — ambos de Categoria 4. A presença dos três sistemas ao mesmo tempo chamou a atenção de cientistas.

Três ciclones alinhados no Pacífico
Ver três ciclones tropicais simultaneamente na região é algo incomum. Julia Cole, cientista climática da Universidade de Michigan, classificou a situação como rara.
“Três ciclones tropicais são definitivamente raros de ver”, afirmou Cole à AFP.
Lowell seguia para oeste, a cerca de 725 quilômetros (450 milhas) ao sul de Hilo, no Havaí. Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), o sistema deveria permanecer como um grande furacão nos dias seguintes.
O órgão também alertou para ondas potencialmente fatais e correntes de retorno perigosas em partes das ilhas havaianas. O arquipélago ainda se recuperava dos impactos do furacão Lala, que passou pelo sul da Ilha Grande em agosto, provocando ventos destrutivos e fortes inundações repentinas.
Trajetória de Karina e Marie
Karina havia perdido um pouco de força enquanto avançava para o noroeste, mas ainda deveria permanecer como furacão pelos próximos dias.
Mais a leste estava Marie, cerca de 610 quilômetros (380 milhas) a sudoeste da ponta sul da Baja California. O sistema provocava ondas em partes da costa do sudoeste do México e da península da Baja California, com possibilidade de avanço para o sul da Califórnia durante o fim de semana.
O aquecimento provocado pelo El Niño é parte importante desse cenário. Segundo Cole, o fenômeno cria condições favoráveis para essas tempestades, que são alimentadas principalmente pelas águas quentes do oceano.
O motor por trás das tempestades
Águas mais quentes fornecem energia para os furacões. Ao mesmo tempo, o El Niño reduz o cisalhamento vertical dos ventos sobre o Pacífico, facilitando a intensificação das tempestades.
O sistema climático aqueceu significativamente nos últimos 20 anos ou mais.
Benjamin Kirtman, cientista atmosférico da Universidade de Miami, à AFP.
O cientista acrescentou que a anomalia da temperatura da superfície do mar, que indica quanto o oceano está mais quente ou mais frio que a média, já está próxima de um recorde.
“Não há outra maneira de colocar isso: está muito quente por aí agora.”
O cenário atual lembra 2015, outro ano de El Niño intenso, quando quatro ciclones tropicais atravessaram o Pacífico ao mesmo tempo.
O que justifica isso?
- As águas do Pacífico estão excepcionalmente quentes.
- O El Niño reduz o cisalhamento vertical dos ventos.
- A anomalia da temperatura do mar está próxima de um recorde.
- Há 69% de chance de o El Niño atual ser o mais forte já registrado.

Reflexos ao redor do mundo
O El Niño deste ano já está associado a eventos extremos em diferentes partes do planeta, embora seu pico só seja esperado entre outubro e dezembro. No Peru, o aquecimento dos mares provocou fortes perdas na produção de anchovas. No Sudão, o fenômeno é responsabilizado pelo atraso das chuvas, que levou a uma queda acentuada nos níveis do rio Nilo.
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O El Niño é a fase de aquecimento de um ciclo natural do Pacífico tropical chamado El Niño-Oscilação Sul (ENSO), que ocorre a cada dois a sete anos. Ele começa quando os ventos alísios enfraquecem, permitindo que águas quentes acumuladas no oeste do Pacífico avancem para leste e cheguem à superfície.
O aquecimento global pode ampliar seus efeitos: uma atmosfera mais quente retém mais umidade, favorecendo chuvas extremas, enquanto o ressecamento do solo aprofunda as secas em regiões onde o El Niño reduz a precipitação.
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