Entre prazer e prejuízo, estudo revela o lado oculto do excesso de internet

Entre prazer e prejuízo, estudo revela o lado oculto do excesso de internet

Uma pesquisa realizada por acadêmicos da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha, identificou uma relação entre padrões excessivos de uso da internet e indicadores como maior estresse, alterações negativas de humor e redução da dedicação a outras áreas da vida.

O levantamento analisou 900 adultos alemães em 2025 que utilizavam serviços online como jogos, pornografia, redes sociais ou compras virtuais. Durante duas semanas, os participantes registraram diariamente seus sentimentos, tempo conectado e impulsos relacionados ao uso da internet.

Publicado na revista científica PLOS One, o estudo buscou compreender como fatores emocionais e a vontade momentânea de acessar a rede influenciam comportamentos considerados problemáticos. Os pesquisadores apontam que o risco está associado ao uso que provoca prejuízos ou sofrimento, e não ao simples ato de estar online.

Impulso de conexão aparece como principal fator para manter o comportamento

Homem segurando um cartão de crédito com a mão direita e teclando em um notebook com a esquerda
Compras online (Imagem: Daniel Hoz
/Shutterstock)

Os participantes foram classificados conforme a frequência e os efeitos de seus hábitos digitais. A pesquisa separou os usuários entre aqueles com uso não problemático, uso de risco e uso considerado patológico, categoria relacionada a situações em que a internet interfere no funcionamento cotidiano ou causa desconforto.

Os resultados indicaram que pessoas com níveis mais elevados de uso problemático apresentavam mais tempo conectado, maior sensação de estresse, pior percepção do próprio humor e maior tendência a deixar de lado outras atividades importantes.

De acordo com os pesquisadores, a vontade imediata de acessar a internet teve papel central na continuidade desses comportamentos. A sensação de prazer ou alívio obtida após a conexão também apareceu como elemento que reforça a repetição do hábito.

Mais do que o estresse real ou o humor isoladamente, é o impulso momentâneo de ficar online que determina se as pessoas realizam atividades na internet e vivenciam consequências tanto positivas quanto prejudiciais”, disse Andreas Oelker, coautor do estudo, ao comentar os resultados da pesquisa realizada com adultos alemães.

imagem demonstra a lateral de um notebook, dando ênfase nas entradas de conexão
Notebook (Reprodução: Tobias Lystad/Unsplash)

O pesquisador explicou que identificar os momentos em que surge a tentação de acessar a internet pode contribuir para estratégias mais eficientes de prevenção e tratamento. Segundo Oelker, intervenções voltadas ao reconhecimento e ao controle desses impulsos podem ser mais úteis do que abordagens concentradas apenas no estresse ou no estado emocional.

A coautora do estudo, Silke M. Müller, destacou que apenas uma parcela reduzida dos usuários desenvolve padrões considerados patológicos. Para ela, a internet pode proporcionar diversão, satisfação e redução do estresse quando seu uso não substitui de forma constante outras dimensões importantes da rotina.

Usar a internet traz alegria, diversão e/ou alívio do estresse de uma maneira enriquecedora, desde que outras áreas importantes da vida não sejam sistematicamente negligenciadas“, disse Silke.

Entre os aspectos afetados pelo excesso de conexão, os pesquisadores mencionaram responsabilidades, atividades físicas, contato com amigos e momentos ao ar livre. Essas práticas foram apontadas como elementos associados ao bem-estar e à saúde.

O trabalho também confirmou a hipótese dos cientistas de que fatores como estresse diário, humor e tentação poderiam ajudar a prever o comportamento de uso da internet ao longo dos dias. A análise ainda avaliou como esses elementos se relacionavam com sensações de prazer, alívio e abandono de outras tarefas.

Pesquisas anteriores citadas pelos autores indicam que jovens com dependência de internet podem apresentar alterações na química cerebral relacionadas a comportamentos mais compulsivos. Esses efeitos, segundo estudos anteriores mencionados, foram observados em diferentes redes neurais e em regiões cerebrais durante períodos de repouso.

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