Os beija-flores ocupam um espaço singular no reino das aves por serem os únicos capazes de realizar voos para trás de maneira contínua. A habilidade resulta de adaptações anatômicas específicas que diferenciam essas aves de praticamente todos os outros pássaros conhecidos.
Além da capacidade de recuar no ar, o grupo também consegue executar manobras rápidas em espaços estreitos, graças à rigidez das asas e à movimentação acelerada de batidas que pode chegar a dezenas de vezes por segundo. Essas características ajudam a explicar por que os beija-flores se destacam entre as espécies voadoras.
Pesquisadores que estudam a biomecânica dessas aves apontam que a estrutura corporal dos beija-flores combina elementos típicos de vertebrados com padrões de voo mais parecidos com os observados em insetos, algo considerado incomum na natureza.
A estrutura das asas explica essa capacidade incomum

A principal diferença dos beija-flores está na articulação das asas. Enquanto a maioria das aves produz sustentação apenas em parte do movimento, os beija-flores conseguem manter força suficiente também no deslocamento contrário das asas. Isso permite estabilidade mesmo durante o voo reverso.
As asas dessas aves realizam um movimento semelhante ao formato de um “oito”, favorecendo mudanças rápidas de direção e permanência no ar por mais tempo. O padrão também ajuda os animais a executar deslocamentos precisos durante a busca por alimento.
O biólogo Tyson Hedrick, da Universidade da Carolina do Norte e autor de um estudo publicado em 2011, afirmou que os beija-flores desenvolveram um tipo de voo raro entre vertebrados. Segundo ele, a mecânica usada pelas aves lembra mais a de insetos do que a de outros pássaros.
“Ele adotou um estilo de voo semelhante ao dos insetos com a herança evolutiva de um vertebrado”, afirmou Tyson Hedrick em entrevista à revista Nature.
O pesquisador também explicou que, embora os beija-flores tenham estruturas ósseas comparáveis às humanas, o movimento executado pelos ombros cria uma dinâmica diferente da observada em aves comuns.

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Além da agilidade no ar, os beija-flores conseguem atravessar pequenos espaços ao recolher parcialmente as asas junto ao corpo. Em determinadas situações, eles ainda inclinam o corpo lateralmente para superar obstáculos durante o deslocamento.
O biólogo Marc Badger afirmou à revista Smithsonian que esse comportamento parece ocorrer quando a ave já reconhece o ambiente ao redor e decide atravessar rapidamente a abertura para reduzir riscos durante o trajeto.
“Quando eles entendem o que existe do outro lado e percebem o ambiente ao redor, passam a usar essa técnica balística para evitar consequências”, declarou Marc Badger à New Scientist.
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