Os quatro astronautas da missão Artemis 2, da NASA, fizeram neste sábado (11) suas primeiras declarações públicas após concluírem a primeira viagem tripulada ao redor da Lua em mais de 50 anos. A tripulação, formada por Reid Wiseman, Christina Koch, Jeremy Hansen e Victor Glover, participou de um evento no Johnson Space Center, em Houston, onde comentou os desafios e impactos da jornada.
A missão terminou na sexta-feira (10), quando a cápsula Orion retornou à Terra após 10 dias no espaço, com pouso no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego. Durante o voo, o grupo se tornou o primeiro a observar diretamente todo o lado oculto da Lua e estabeleceu um novo recorde de distância percorrida por humanos no espaço.

“Estamos ligados para sempre”, diz comandante
O comandante Reid Wiseman destacou o impacto emocional da missão e o vínculo criado entre os tripulantes. “Estamos ligados para sempre, e ninguém aqui embaixo vai saber exatamente o que passamos”, afirmou.
Ele também descreveu a mudança de percepção ao longo da viagem. Segundo Wiseman, antes do lançamento, a missão parecia “o maior sonho da Terra”, mas, já no espaço, o desejo de voltar para familiares e amigos se tornou mais evidente. “É algo especial ser humano e estar no planeta Terra”, completou.

Visão da Terra e dimensão da experiência
A astronauta Christina Koch chamou atenção para a visão do planeta a partir do espaço profundo. “A Terra era como um bote salva-vidas suspenso no universo”, disse, ao relatar o contraste com a escuridão ao redor.
Ela também destacou a conexão entre as pessoas ao observar o planeta de longe. Segundo Koch, a experiência reforçou a ideia de que todos fazem parte de uma mesma “tripulação” na Terra.
Victor Glover ressaltou a dificuldade de traduzir a experiência em palavras. “A gratidão pelo que vimos e fizemos é grande demais para caber em uma única pessoa”, afirmou, ao comentar o impacto da missão.

Missão estabelece marcos históricos
A missão Artemis 2 registrou uma série de feitos inéditos. Além da observação completa do lado oculto da Lua, a tripulação percorreu 406.724 quilômetros (252.756 milhas) de distância da Terra, superando o recorde anterior da missão Apollo 13, em 1970.
Também houve avanços em termos de representatividade. Koch se tornou a primeira mulher em uma missão lunar, Glover o primeiro astronauta negro, e o canadense Hansen o primeiro não estadunidense a participar desse tipo de missão.
O grupo também foi o primeiro a viajar utilizando o foguete Space Launch System e a cápsula Orion, desenvolvidos para o programa Artemis.
Imagens inéditas e próximos passos
Durante os 10 dias de missão, os astronautas registraram imagens detalhadas do lado oculto da Lua, revelando crateras, montanhas, cordilheiras e planícies de lava antigas. Segundo a NASA, esses dados devem ajudar cientistas a entender melhor a formação e a evolução do satélite natural.

Jeremy Hansen também destacou o impacto coletivo da missão ao encerrar sua fala. “Se você gostou do que viu aqui, olhe mais de perto. Isso também é você”, afirmou, ao dizer que a tripulação reflete valores compartilhados por todos.
A agência espacial já planeja os próximos passos do programa. A missão Artemis 3 está prevista para meados de 2027, enquanto a Artemis 4 deve ocorrer em 2028, com o objetivo de levar astronautas à superfície lunar.
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