As principais empresas de semicondutores negociadas nas bolsas dos Estados Unidos registraram fortes perdas nesta sexta-feira (5), em um movimento que eliminou cerca de US$ 1,3 trilhão em valor de mercado do setor. O recuo atingiu gigantes ligadas à inteligência artificial (IA), como Nvidia, Micron Technology e Advanced Micro Devices (AMD), após a repercussão negativa do resultado trimestral divulgado pela Broadcom no início da semana.
A queda também afetou o principal indicador do segmento. O índice PHLX Semiconductor Index (SOX) recuou 10,3% no dia, registrando sua maior perda diária desde março de 2020, período em que a pandemia de coronavírus provocou forte turbulência nos mercados globais.
Resultado da Broadcom amplia pressão sobre o setor de chips
As vendas desta sexta-feira se somaram às perdas observadas na quinta-feira (4). O movimento ganhou força após a Broadcom divulgar um relatório trimestral que mostrou que a demanda por sua divisão de chips personalizados para inteligência artificial ficou abaixo das expectativas elevadas do mercado.

Nos dois pregões, o índice PHLX acumulou uma queda de 12%. O desempenho sugere um aumento da preocupação dos investidores com as avaliações elevadas das empresas de tecnologia, especialmente em um momento em que Elon Musk se prepara para realizar, na próxima semana, uma oferta pública inicial da SpaceX avaliada em US$ 1,75 trilhão.
Apesar do recuo recente, o índice de semicondutores havia alcançado um recorde histórico na quarta-feira (3) e ainda acumula alta de 73% no ano.
Nvidia, Micron e AMD lideram perdas
A Nvidia, maior fabricante de chips do mundo em valor de mercado, caiu cerca de 6% durante o pregão, reduzindo sua capitalização em mais de US$ 300 bilhões.

Já a Micron Technology registrou uma queda de 13%, eliminando aproximadamente US$ 150 bilhões em valor de mercado. A Marvell Technology, que vinha atraindo atenção de investidores nos últimos meses, perdeu 17%, enquanto a AMD recuou quase 11%.
Dennis Dick, operador proprietário da Triple D Trading, afirmou à Reuters que muitos investidores vinham comprando ações após quedas recentes, estratégia que havia gerado retornos até agora. “Muita gente estava simplesmente comprando na queda sem pensar muito. Essa estratégia de comprar sempre que o mercado caía vinha dando dinheiro, mas isso acabou hoje”, afirmou ele.
Juros e mercado de trabalho também pesam
Além das preocupações específicas com o setor de semicondutores, investidores reagiram a dados de emprego nos Estados Unidos que vieram acima do esperado. O cenário reforçou receios sobre a possibilidade de juros mais altos, aumentando a pressão sobre as ações americanas de forma mais ampla.
O índice S&P 500 caiu 2,6% no dia.
A própria Broadcom, uma das empresas mais beneficiadas pela corrida da inteligência artificial, perdeu 7,9% nesta sexta-feira. Com isso, a companhia acumula uma queda próxima de 20% nos últimos dois pregões.
Para Ohsung Kwon, estrategista-chefe de ações da Wells Fargo, o movimento está relacionado ao forte desempenho anterior do setor. Segundo ele, as ações de semicondutores estavam excessivamente valorizadas, o que ajuda a explicar a correção observada nos mercados. Ainda assim, o executivo afirmou que não acredita que o atual ciclo de alta do setor tenha chegado ao fim.
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