A Fox Corporation anunciou a compra da Roku em um acordo avaliado em cerca de US$ 22 bilhões (R$ 110 bilhões), segundo a Reuters. A operação ainda depende de aprovação regulatória e tem fechamento previsto para a primeira metade de 2027.
O movimento coloca a Fox em uma disputa mais direta no mercado de streaming, combinando conteúdo ao vivo, esportes e notícias com uma das principais plataformas de TV conectada dos Estados Unidos.

Estrutura do acordo e reação do mercado
O negócio é um acordo misto de dinheiro e ações. Os acionistas da Roku devem receber US$ 96 (R$ 482) em dinheiro e cerca de 0,97 ação da Fox Classe A por papel, totalizando US$ 160 (R$ 805) por ação. O valor representa um prêmio de aproximadamente 33,7% em relação ao fechamento anterior ao anúncio.
O financiamento da parte em dinheiro será feito com caixa próprio da Fox, nova dívida e cerca de US$ 12 bilhões (R$ 60 bilhões) em financiamento-ponte do Morgan Stanley.
A reação do mercado foi imediata e desigual. As ações da Fox chegaram a cair quase 14% no pré-mercado, enquanto a Roku teve alta leve, mas permaneceu abaixo do preço oferecido.
Um ponto que chamou atenção entre investidores foi justamente a forma como o mercado ainda está tentando precificar os riscos e o tempo de integração do negócio.
O que muda para a Fox com a Roku
A Roku dá à Fox acesso direto a mais de 100 milhões de lares conectados. Na prática, isso amplia de forma imediata a capacidade da Fox de distribuir conteúdo fora da TV tradicional.
Esse detalhe é importante porque a empresa ainda depende fortemente da TV a cabo, que vem perdendo espaço com a migração de usuários para o streaming — o chamado “cord-cutting”.
Com a aquisição, a Fox busca reduzir essa dependência e ganhar mais controle sobre três pontos estratégicos: audiência, dados e publicidade digital.

A Roku também tem um modelo de negócios fortemente baseado em anúncios. Segundo a Reuters, a empresa registrou US$ 613 milhões (R$ 3,08 bilhões) em receita de publicidade no primeiro trimestre, com crescimento anual de 27%, além de operar o Roku Channel, plataforma gratuita de streaming.
Pressão do setor e disputa por audiência
A Fox já atua no streaming com serviços como Tubi e Fox One, mas enfrenta um cenário cada vez mais competitivo, com grandes grupos de mídia disputando atenção e dados dos usuários.
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Segundo analistas, o ponto central da operação não é apenas ampliar catálogo, mas integrar produção de conteúdo e distribuição sob a mesma estrutura — algo que aumenta eficiência na monetização.
Em termos práticos, a combinação entre Fox e Roku coloca esportes ao vivo, publicidade e plataformas digitais dentro do mesmo ecossistema.
Controle da nova empresa e impacto no setor
Após a conclusão do acordo, a Fox deve deter cerca de 73% da empresa combinada, enquanto os acionistas da Roku ficarão com o restante.
Os conselhos das duas companhias aprovaram a transação por unanimidade. Mesmo assim, o processo ainda depende de aval regulatório e pode sofrer ajustes até o fechamento.
O mercado agora acompanha um ponto menos óbvio do que o valor da aquisição: o tempo necessário para transformar sinergias em resultado real.
No fim, a operação não é apenas uma compra de plataforma, mas uma tentativa da Fox de reposicionar seu papel na TV digital em um momento em que o consumo de conteúdo continua migrando rapidamente para o streaming.
O post Fox e Roku juntos? A fusão que pode criar um novo gigante da TV apareceu primeiro em Olhar Digital.