A Justiça da França condenou os streamers Naruto e Safine após a morte do influenciador Jean Pormanove durante uma transmissão ao vivo. O episódio envolveu vídeos com humilhações e agressões exibidos na internet antes da morte do criador de conteúdo.
A decisão do tribunal criminal de Nice também aumentou a pressão sobre plataformas de streaming e trouxe novos questionamentos sobre o controle de conteúdos violentos publicados em tempo real.

Streamers são condenados após caso Jean Pormanove
O tribunal criminal de Nice condenou nesta quarta-feira (5) Owen Cenazandotti, conhecido como Naruto, e Safine Hamadi, conhecido como Safine, por atos relacionados às transmissões que antecederam a morte de Jean Pormanove, nome pelo qual era conhecido Raphaël Graven, comenta matéria no Le Monde.
Naruto, de 27 anos, recebeu pena de dois anos de prisão com suspensão condicional e multa de 15 mil euros (cerca de R$ 88 mil). Safine, de 24 anos, foi condenado a 18 meses de prisão com suspensão condicional e multa de 5 mil euros (aproximadamente R$ 29 mil).
A medida permite que os dois permaneçam em liberdade, desde que cumpram as condições determinadas pela Justiça. Caso descumpram as regras ou voltem a cometer crimes, a pena poderá ser aplicada.
Conteúdos violentos levaram à investigação
As transmissões eram feitas inicialmente na Twitch e depois migraram para a Kick, plataforma conhecida por ter regras de moderação mais flexíveis. Os vídeos publicados pelo grupo reuniam milhares de espectadores e mostravam situações de humilhação e agressões.
Jean Pormanove morreu durante uma live em agosto de 2025, aos 46 anos. Segundo as investigações, ele foi submetido a situações de abuso exibidas para o público na plataforma.
As autoridades francesas passaram a investigar as circunstâncias da morte e possíveis crimes relacionados à violência contra uma pessoa vulnerável e à divulgação das imagens.
Entre os principais pontos do caso estão:
- transmissões ao vivo com episódios de violência e humilhação;
- milhares de espectadores acompanhando os conteúdos;
- investigação sobre a responsabilidade dos envolvidos;
- questionamentos sobre a fiscalização das plataformas digitais.
Antes da morte do influenciador, reportagens investigativas já apontavam que os vídeos do grupo usavam práticas de humilhação como forma de entretenimento e monetização.

Pressão aumenta sobre plataformas de streaming
Após a repercussão do episódio, a Kick anunciou o banimento dos criadores envolvidos e passou a ser questionada na França sobre sua atuação no combate a conteúdos violentos.
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Criada em 2022, a plataforma ganhou espaço entre criadores por oferecer uma divisão de receita mais favorável aos streamers e adotar uma política de moderação considerada menos restritiva em comparação com concorrentes como a Twitch.
A empresa afirmou que analisava as circunstâncias da morte de Jean Pormanove e reforçou que suas regras proibiam conteúdos que retratassem ou incentivassem violência extrema.
A condenação encerra uma etapa judicial do caso, mas mantém em debate os limites do entretenimento online e a responsabilidade das empresas que oferecem espaço para transmissões ao vivo.
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