Uma equipe da Pohang University of Science and Technology desenvolveu um dispositivo que pode mudar a forma como nos comunicamos. Trata-se de uma gargantilha de silicone equipada com sensores e inteligência artificial, capaz de transformar movimentos silenciosos do pescoço em fala audível, sem que a pessoa precise emitir som, segundo informações do portal New Atlas.
O dispositivo funciona a partir de um princípio simples, mas pouco explorado: ao falar, não produzimos apenas som, mas também pequenos movimentos musculares no pescoço. Esses deslocamentos são únicos para cada palavra e funcionam como uma espécie de impressão digital da fala.
Diferente de métodos anteriores, como eletromiografia e eletroencefalografia, que exigem equipamentos complexos e pouco práticos, a nova solução aposta em um sensor chamado Multiaxial Strain Mapping Sensor. Ele combina silicone flexível, câmera miniaturizada e sensores de movimento para mapear deformações da pele em tempo real.
Para quem tem pressa:
- Gargantilha converte movimentos do pescoço em fala audível;
- Usa inteligência artificial treinada com a voz do usuário;
- Funciona mesmo em ambientes extremamente barulhentos;
- Exige menos de 10 minutos de treinamento inicial;
- Pode auxiliar pacientes com distúrbios de fala;
- Ainda limitado a vocabulário restrito e movimentos controlados.
Inteligência artificial recria voz do usuário
Os dados captados pelo sensor são enviados para um modelo de inteligência artificial treinado com a voz do próprio usuário. Esse sistema identifica quais palavras foram articuladas e as converte em áudio sintético com características muito próximas da fala original.

Nos testes, a equipe utilizou o alfabeto fonético da OTAN, conhecido por facilitar a comunicação em ambientes difíceis. O sistema alcançou 85,8% de precisão ao reconhecer 26 palavras diferentes. Além disso, o treinamento do modelo de voz leva menos de 10 minutos.
Outro ponto de destaque é a resistência ao ruído. Mesmo em ambientes com cerca de 90 decibéis, equivalentes a um canteiro de obras, o dispositivo manteve bom desempenho, superando sistemas tradicionais baseados em sinais musculares.
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Aplicações vão além da medicina
A tecnologia pode beneficiar pacientes com distúrbios de fala, incluindo pessoas que passaram por remoção da laringe. No entanto, seu uso não se limita à área médica. Ambientes industriais, operações de emergência e até cenários militares podem se beneficiar da comunicação silenciosa.

Pesquisas semelhantes já foram conduzidas pela Universidade de Cambridge, que também desenvolveu protótipos capazes de interpretar fala silenciosa. Em versões mais recentes, os sistemas chegaram a identificar até o estado emocional do usuário.
Apesar do avanço, o sistema ainda enfrenta limitações. Ele opera com um vocabulário fixo e perde precisão quando o usuário se movimenta muito. Ainda assim, representa um passo relevante rumo a interfaces mais naturais entre humanos e máquinas.
Você pode conferir mais informações ao acessar a publicação do jornal da Pohang clicando aqui. Já a pesquisa pode ser lida aqui.
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