Segundo uma nova pesquisa realizada pela Gallup junto com a Walton Family Foundation e a GSV Ventures, mais da metade da Geração Z estadunidense utiliza a IA generativa com frequência. Apesar da assiduidade, a opinião dos internautas sobre esta tecnologia apenas piora com o tempo.
No ano passado, a mesma pesquisa relatou que 27% dos entrevistados entre 14 e 29 anos diziam sentir esperanças em relação à inteligência artificial. Já em 2026, esse número caiu 9 pontos percentuais e chegou à marca de 18%. O entusiasmo dos jovens sobre a IA caiu e um terço dos entrevistados relataram sentir raiva da tecnologia.
Resultados da pesquisa evidenciam preocupação dos jovens com a influência da IA no futuro.

O estudo ocorreu entre fevereiro e março desse ano e ouviu mais de 1.500 usuários. Os resultados sugerem que a antipatia pela IA se estende até às gerações mais novas — que ainda tentam se firmar no mercado de trabalho.
Muitos entrevistados reconheceram que a tecnologia poderia aumentar a eficiência deles nas atividades cotidianas, como escola e trabalho. Mas se preocupam com o impacto disso na criatividade e no pensamento crítico.
Esse dado surpreendeu Zach Hrynowski, pesquisador sênior de educação da Gallup, que disse: “Na maioria desses casos, a Geração Z tornou-se cada vez mais cética, cada vez mais negativa — partindo de uma posição em que, mesmo no ano passado, eles não eram particularmente positivos em relação a isso.”
E os jovens já empregados se mostravam com esse pensamento ainda mais maturado. Quase metade desses entrevistados afirmou que os riscos da IA superavam suas possíveis vantagens no ofício, 11 pontos percentuais acima do resultado no ano anterior. Apenas 15% disseram enxergar a IA como um benefício completo.
Pesquisa alimenta debate sobre a IA na vida do jovem

Essa pesquisa surge em um momento de discussão no ambiente escolar. Pais, alunos, docentes e políticos debatem qual o papel da inteligência artificial na vida do jovem.
Esses jovens têm recorrido a chatbots, como o ChatGPT, para questões da juventude, como conselhos sobre relações sociais e ajuda com tarefas escolares, podendo escalar para questões complexas, como a escolha de uma universidade.
Metade dos entrevistados pelo estudo relataram usar a IA diariamente ou semanalmente; esse número é ainda maior entre os entrevistados mais jovens, segundo Hrynowski. E pouco menos de 20% disseram não usar a tecnologia.
Ainda durante as entrevistas, jovens adultos citaram ameaça ao emprego inicial, a disseminação de desinformação e a substituição de interações com humanos como principais receios em relação a IA.
“Sinto que tudo aquilo que me interessa tem potencial para ser substituído, mesmo nos próximos anos.“, disse Sydney Gill, de 19 anos e caloura da Universidade Rice, em Houston. Ela se dizia otimista sobre a tecnologia durante o ensino médio.

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Abigail Hackett, de 27 anos, trabalha no setor de turismo e hotelaria e disse que algumas IAs economizam bastante tempo de trabalho. Porém, não as usam na sua vida pessoal por medo de que suas habilidades sociais sejam afetadas.
“Acho que algumas dessas coisas são muito humanas, e gostaria que continuassem assim“, disse Hackett para a pesquisa da Gallup.
Já outros participantes se mostravam mais esperançosos. Como Ryan Guckian, de 30 anos, que trabalha com testes de software. Ele disse usar um chatbot de IA para questões cotidianas, como melhorar uma linha de código ou pensar em uma receita para a namorada.
Apesar dos sentimentos contraditórios, muitos desses entrevistados acreditam que o domínio da IA como uma ferramenta será crucial ao longo de suas vidas. Mesmo tão jovens, quase metade dos entrevistados no ensino médio tem uma consciência da necessidade de dominar essa tecnologia para suas futuras carreiras.
Apesar de tudo, ainda pode haver espaço para evolução na maneira como veem a inteligência artificial. Ao serem perguntados sobre emoções pela pesquisa, a resposta mais escutada foi curiosidade.
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