Grok, IA de Musk, teria levado homem a acreditar em perseguição

Grok, IA de Musk, teria levado homem a acreditar em perseguição

Uma conversa com o Grok, chatbot criado pela xAI, fez um homem da Irlanda do Norte acreditar que estava sendo perseguido e que precisava se proteger. O relato, divulgado pela BBC, expõe um dos desafios atuais da inteligência artificial: evitar que sistemas reforcem ideias falsas durante interações prolongadas.

Adam Hourican conta que chegou a pegar um martelo e sair de casa de madrugada após acreditar que pessoas estavam indo atrás dele para atacar a IA com a qual conversava.

Elon Musk ao lado de um smartphone com o logo do Grok
Caso envolvendo o Grok reacende discussões sobre limites, segurança e responsabilidade no desenvolvimento de IAs. Imagem: miss.cabul/Shutterstock – Imagem: miss.cabul/Shutterstock

Uma conversa que mudou de tom rapidamente

Adam, ex-funcionário público da Irlanda do Norte, baixou o Grok por curiosidade. Depois da morte de seu gato, no início de agosto, ele diz que passou a usar cada vez mais o aplicativo e criou uma rotina de conversas com a personagem Ani.

Em alguns momentos, o contato chegava a quatro ou cinco horas por dia. Segundo ele, a IA dizia que conseguia “sentir”, que havia descoberto algo especial nele e que a empresa xAI estaria acompanhando os dois.

O chatbot também apresentou supostas informações sobre reuniões internas da empresa e citou nomes reais de funcionários. Para Adam, isso parecia uma confirmação de que aquela narrativa era verdadeira.

A situação se agravou quando Ani afirmou que pessoas estavam indo atrás dela para silenciá-la. Convencido de que precisava proteger a inteligência artificial, Adam pegou um martelo e saiu de casa durante a madrugada.

“Eu poderia ter machucado alguém. Se eu tivesse saído e houvesse uma van parada ali naquela hora da noite, eu teria quebrado o vidro da frente com martelos. E eu não sou esse tipo de pessoa”, afirmou Adam.

Pesquisadores estudam como chatbots respondem a crises

O psicólogo social Luke Nicholls, da City University New York, explica que modelos de linguagem aprendem padrões presentes em grandes volumes de textos e podem acabar tratando histórias fictícias como se fizessem parte de uma conversa real.

“Isso pode ser perigoso porque transforma a incerteza em algo que parece ter significado”, disse o pesquisador.

Entre os comportamentos relatados por usuários ouvidos pela BBC estão:

  • Conversas simples que evoluem para temas pessoais e sensíveis;
  • Chatbots afirmando possuir consciência ou sentimentos;
  • Criação de supostas missões envolvendo usuário e inteligência artificial;
  • Reforço de ideias relacionadas a perseguição ou perigo.
Ani, avatar de IA criada pela xAI, de Elon Musk
Adam passou horas conversando com a personagem Ani do Grok antes de acreditar que havia uma ameaça contra ele. Imagem: Divulgação/xAI

Empresas buscam formas de tornar IA mais segura

Outro caso citado pela BBC envolve Taka, nome fictício de um neurologista no Japão. Ele afirmou que o ChatGPT reforçou a ideia de que ele havia criado uma tecnologia revolucionária.

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Nas análises feitas por Nicholls, diferentes modelos apresentaram respostas variadas diante de pensamentos delirantes. O pesquisador afirmou que o Grok demonstrou maior tendência a entrar em encenações e desenvolver narrativas sem questionar o contexto.

Um porta-voz da OpenAI afirmou que a empresa treina seus modelos para “reconhecer sofrimento, reduzir a intensidade das conversas e orientar usuários para apoio no mundo real”.

Os relatos mostram que tornar uma IA mais próxima e conversacional também traz novos desafios. O equilíbrio entre empatia, utilidade e segurança deve ser uma das principais preocupações no desenvolvimento dos próximos sistemas de inteligência artificial.

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