Guerra das IAs: DeepSeek V4 supera rivais em programação e desafia OpenAI

Guerra das IAs: DeepSeek V4 supera rivais em programação e desafia OpenAI

A startup chinesa DeepSeek acaba de elevar o tom na disputa pela supremacia da inteligência artificial. Nesta sexta-feira (24), a empresa lançou uma prévia do DeepSeek V4, seu mais novo modelo que promete não apenas competir, mas superar os atuais líderes de mercado em tarefas complexas de desenvolvimento de software.

De acordo com testes da consultoria Vals AI, mencionada pelo The New York Times, o V4 apresentou um desempenho em escrita de código superior a qualquer outro sistema de código aberto disponível, estreitando drasticamente a vantagem que gigantes como OpenAI e Anthropic mantinham até então.

O poder dos agentes de IA

A proficiência do DeepSeek V4 em programação não interessa apenas aos desenvolvedores. Essa habilidade é o motor principal para a criação de agentes de IA, isto é, sistemas autônomos que podem utilizar outros softwares (como planilhas, e-mails e calendários) para executar tarefas complexas sem supervisão humana constante.

Além do ganho de produtividade, o avanço traz novos desafios para o setor de segurança digital. Segundo o jornal, a capacidade de escrever código com precisão permite que a IA identifique vulnerabilidades em redes de forma muito mais rápida, servindo tanto para o fortalecimento da cibersegurança quanto para potenciais ataques.

Estratégia chinesa: o código aberto como arma

Diferente das empresas do Vale do Silício, que guardam seus modelos mais potentes a sete chaves, a China adotou o open-source como estratégia de expansão global. O objetivo é claro: tornar a tecnologia chinesa o padrão mundial por meio da acessibilidade.

  • Domínio de mercado: no último ano, modelos chineses já representavam cerca de um terço do uso global de IA.
  • Influência global: países como a Malásia já confirmaram que sua infraestrutura nacional de IA será baseada na tecnologia da DeepSeek, conforme apurado pelo The New York Times.
  • Adoção em massa: desenvolvedores de mercados emergentes, da Nigéria à Malásia, preferem o modelo chinês por ser mais barato e flexível para experimentação.

Geopolítica e a “técnica de imitação”

O sucesso da DeepSeek ocorre apesar das sanções dos EUA, que tentam limitar o acesso da China a chips de alto desempenho. No entanto, rivais americanos sugerem que o crescimento acelerado da startup pode ter um “atalho”.

Executivos da OpenAI e da Anthropic afirmam que a DeepSeek utiliza um processo chamado destilação. Na prática, isso significa “treinar” um modelo novo fazendo milhões de perguntas a uma IA superior (como o GPT-4) e ensinando o modelo menor a imitar seu comportamento.

Nesta quinta-feira (23), o governo dos Estados Unidos acusou formalmente a China de conduzir uma campanha de roubo de propriedade intelectual voltada para inteligência artificial em “escala industrial”. De acordo com o documento vazado, entidades estrangeiras estão engajadas em esforços para “destilar” sistemas de IA de fronteira desenvolvidos nos EUA.

Apesar das críticas, o “momento DeepSeek” consolidou 2025 e o início de 2026 como a era da explosão das IAs chinesas. Gigantes como Alibaba e ByteDance (dona do TikTok) também entraram na onda, liberando modelos como o Qwen, que já soma mais de um bilhão de downloads, conforme o jornal.

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