Guerra nuclear e IA podem extinguir a humanidade até 2100, alertam especialistas

Guerra nuclear e IA podem extinguir a humanidade até 2100, alertam especialistas

Uma avaliação internacional de riscos aponta que a humanidade pode enfrentar a extinção até 2100 em decorrência de uma guerra nuclear ou do uso malicioso da inteligência artificial (IA). Os dois cenários estão entre as 17 principais ameaças à saúde humana identificadas por uma comissão de especialistas, que também inclui a crise climática, a desnutrição infantil e a redução da ajuda internacional.

O levantamento foi elaborado pela Comissão da The Lancet sobre Ameaças Globais à Saúde no Século 21, formada por 35 especialistas. Segundo os pesquisadores, os riscos estão interligados e precisam ser enfrentados de maneira conjunta. Apesar da gravidade dos cenários, o grupo afirma que existem medidas viáveis para combater cada uma das ameaças. Os resultados serão apresentados neste domingo (11), durante a Cúpula Mundial da Saúde, em Berlim, na Alemanha.

Guerra nuclear e inteligência artificial estão entre os maiores riscos

De acordo com o relatório, o uso malicioso da IA, inclusive para desenvolver armas biológicas, e um conflito nuclear acompanhado de fome em escala global apresentam riscos de extinção nos próximos 75 anos. Os especialistas ressaltam que a probabilidade desses cenários permanece baixa, mas suas consequências potenciais seriam extremas.

No caso de uma guerra nuclear, a liberação de partículas suficientes na alta atmosfera poderia bloquear a luz solar e provocar uma crise alimentar. Já a inteligência artificial poderia ser utilizada na criação de armas biológicas capazes de causar danos em larga escala.

Um editorial publicado pela The Lancet junto com o relatório também alertou para a dimensão dos possíveis impactos desses cenários. Segundo o texto, caso essas ameaças se concretizem, os danos poderiam provocar uma catástrofe para a humanidade.

Christopher Murray, copresidente da comissão e diretor do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington, afirmou que as decisões tomadas atualmente por líderes políticos terão efeitos sobre a saúde e o bem-estar das próximas gerações.

Quais são as 17 ameaças identificadas

A comissão classificou os riscos com base no número estimado de anos de vida saudável que poderiam ser perdidos em razão de doenças, incapacidades ou mortes prematuras. A medida utilizada é conhecida como anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs, na sigla em inglês).

Além da guerra nuclear e do uso malicioso da IA, a lista reúne outras ameaças consideradas catastróficas por poderem provocar a perda acumulada de mais de 1 bilhão de DALYs. Entre elas estão:

  • Poluição do ar;
  • Resistência aos antimicrobianos;
  • Desnutrição infantil;
  • Crise climática;
  • Conflitos convencionais;
  • Redução da ajuda internacional;
  • Consumo elevado de álcool;
  • Pressão arterial elevada;
  • Desigualdade de renda;
  • Baixo nível de escolaridade;
  • Pandemias de ocorrência natural;
  • Obesidade;
  • Problemas de saúde mental;
  • Tabagismo;
  • Envelhecimento pouco saudável.

Para integrar a lista, as ameaças precisavam apresentar potencial para causar grandes perdas de anos de vida saudável e contar com possíveis medidas de prevenção ou mitigação.

Redução das emissões e da ajuda internacional pode evitar perdas

O relatório também estima o impacto que determinadas medidas poderiam ter sobre a saúde global. Limitar o aquecimento global a aproximadamente 1,8 °C, em vez de permitir que alcance 4,4 °C, poderia evitar a perda de 1,89 bilhão de anos de vida saudável, segundo as projeções da comissão.

Os pesquisadores também destacam diferenças regionais. Em áreas de renda mais alta, doenças não transmissíveis, como obesidade e problemas de saúde mental, aparecem como ameaças predominantes. Já em regiões de renda mais baixa, fatores como o baixo nível de escolaridade têm maior influência nas perdas de saúde.

Outro ponto de preocupação é a diminuição da ajuda internacional. Grandes países doadores, incluindo Estados Unidos e Reino Unido, anunciaram cortes expressivos nos gastos com assistência ao exterior ao longo do último ano.

Segundo a avaliação, um possível colapso ou uma redução acentuada da ajuda internacional destinada à saúde poderia provocar a perda de até 1,5 bilhão de DALYs antes de 2100. Quase 70% desse total corresponderia à África Subsaariana, região que também enfrenta os impactos da desnutrição infantil.

Especialistas defendem prevenção e preparação

Ibrahim Abubakar, integrante da comissão e professor de epidemiologia de doenças infecciosas na University College London (UCL), afirmou que o objetivo do levantamento não é alarmar a população, mas oferecer informações para orientar decisões de governos e formuladores de políticas públicas.

A comissão recomenda que os líderes atuem antes que os riscos se transformem em crises, com investimentos em inovações tecnológicas e no fortalecimento dos sistemas de saúde.

O grupo iniciou o trabalho há três anos com foco em três grandes ameaças: conflitos, mudanças climáticas e pandemias. Segundo Murray, a análise revelou um conjunto mais amplo de riscos que exige recursos financeiros e equipes dedicadas à antecipação, à prevenção e à preparação.

A avaliação será atualizada anualmente para reexaminar as 17 ameaças identificadas, incorporar novos dados e considerar possíveis riscos emergentes.

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