“Hambúrguer cósmico” tem potencial para gerar planetas gigantes

“Hambúrguer cósmico” tem potencial para gerar planetas gigantes

Um dos maiores discos protoplanetários já observados, o chamado Hambúrguer de Gómez, apresentou sinais inesperados de formação planetária. Em outras palavras: há potencial de que ele possa gerar planetas gigantes em seu interior.

A descoberta foi comandada por Charles Law, da Universidade da Virgínia, usando dados do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). As revelações indicam que o Hambúrguer possa, no futuro, abrigar um sistema multiplanetário.

Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA)
Dados foram coletados usando o ALMA, no Chile (Imagem: European Southern Observatory/Reprodução)

Conheça o “hambúrguer cósmico”

O Hambúrguer de Gómez, ou GoHam, recebeu esse nome devido à sua aparência quando visto da Terra. Ele é observado quase exatamente de perfil, exibindo camadas sobrepostas de gás e poeira (que lembram os pães) envolvendo uma estrela jovem (o hambúrguer, no recheio).

Trata-se de um disco protoplanetário, um disco de gás e poeira que orbita uma estrela jovem e recém-formada. A estrutura abriga estrelas, planetas, asteroides e cometas, sendo frequentemente chamada de “berçário cósmico”.

Segundo Law, em comunicado, no caso do GoHam, a orientação permite analisar tanto a estrutura vertical quanto a radial do disco em alto nível de detalhes, algo difícil de alcançar em sistemas semelhantes. Isso o torna referência para testar modelos de como os discos evoluem e formam planetas em seu interior.

hambúrguer de gomez
GoHam é observado de perfil, algo raro para discos protoplanetários (Imagem: NASA)

Hambúrguer cósmico tem potencial para formar planetas gigantes

Usando dados do ALMA, um conjunto de 66 antenas localizado no norte do Chile, astrônomos identificaram sinais inesperados de formação planetária no GoHam.

As observações revelaram uma organização clara dos componentes do disco. Grãos de poeira e diferentes moléculas gasosas, incluindo variações de monóxido de carbono e compostos à base de enxofre, distribuem-se em camadas distintas. Gases mais leves ocupam regiões mais altas, enquanto os mais pesados se concentram próximos ao plano central, um padrão de estratificação compatível com modelos teóricos de discos protoplanetários em evolução.

Apesar da poeira e dos sólidos maiores estarem mais concentrados na região central, o gás do GoHam se estende por uma área colossal: o disco alcança uma largura equivalente a cerca de 2.000 vezes a distância entre a Terra e o Sol e uma altura centenas de vezes maior.

O volume de poeira também chama atenção, superando em muito o de discos protoplanetários típicos ao redor de estrelas jovens. A equipe sugere que isso indica um ambiente altamente favorável à formação de planetas gigantes e, possivelmente, de um sistema com vários mundos.

Discos planetários concentram gás e poeira, e orbitam estrelas jovens (Imagem: ESO/Reprodução)

Assimetria e perturbações

O “hambúrguer cósmico”, porém, está longe de ser simétrico:

  • Um dos lados do disco apresenta emissão de poeira mais intensa e ampla, sinal de uma possível perturbação (como um vórtice) capaz de aprisionar os sólidos que servirão de matéria-prima para novos planetas;
  • No lado oposto, os astrônomos identificaram indícios de um vento fotoevaporativo, no qual a radiação da estrela empurra parte do gás para fora do disco;
  • Outro detalhe intrigante é a presença de um arco de monóxido de enxofre detectado apenas em um dos lados, alinhado a uma concentração densa de material conhecida como GoHam b;
  • Os pesquisadores acreditam que essa região represente matéria em colapso gravitacional, possivelmente marcando um estágio inicial da formação de um planeta gigante em uma órbita ampla, distante da estrela central.

Segundo os cientistas, o conjunto dessas características torna o GoHam um laboratório natural para testar teorias sobre a origem de planetas gigantes e entender como eles moldam o ambiente ao seu redor ao longo do tempo.

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