Hollywood transforma crises da tecnologia em filmes e documentários

Hollywood transforma crises da tecnologia em filmes e documentários

Hollywood prepara uma série de filmes e documentários sobre figuras influentes da tecnologia, como Mark Zuckerberg, Elon Musk e Sam Altman. Os lançamentos chegam em meio à crescente preocupação com os riscos da inteligência artificial (IA) e os impactos ambientais dos centros de dados.

As produções revisitam controvérsias envolvendo grandes empresas e seus líderes. Com histórias que vão de denúncias corporativas a episódios envolvendo agentes autônomos, os filmes também podem influenciar a percepção pública sobre o setor.

Elon Musk
O documentário Musk, de Alex Gibney, tem quase quatro horas e foi criticado publicamente pelo próprio empresário. – Imagem: FotoField/Shutterstock

Os gigantes da tecnologia chegam às telas

Um dos destaques é The Social Reckoning, da Sony Pictures, sequência de A Rede Social, de 2010, vencedor de três Oscars. O novo longa aborda o vazamento de documentos internos do Facebook em 2021 por Frances Haugen, ex-funcionária que expôs informações sobre a empresa. A previsão é que o filme arrecade cerca de US$ 7 milhões (aproximadamente R$ 42 milhões) em sua estreia nos Estados Unidos.

Em entrevista à CNBC, Haugen disse que a produção trouxe de volta boas lembranças e captou o espírito daquele período.

Outro lançamento é Musk, documentário de quase quatro horas dirigido por Alex Gibney. As primeiras exibições receberam elogios da crítica, mas Elon Musk contestou o trabalho no X, afirmando que o filme não tem nenhuma integridade.

Em 16 de outubro, chega You Can See Everything, documentário sobre Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos. Já Artificial, da Neon, tem estreia prevista para o Natal e dramatiza a breve saída de Sam Altman do comando da OpenAI, em 2023.

Parece um filme horrível, mas aprecio a criatividade das pessoas e realmente apoio isso.

Sam Altman, CEO da OpenAI, à CNBC.

Ele também afirmou entender a ansiedade em torno da IA e disse não se incomodar quando as pessoas direcionam suas preocupações a ele ou fazem piadas a seu respeito.

A Netflix participa desse movimento com um episódio da série documental Instadocs, previsto para segunda-feira. A produção aborda um incidente em que agentes de IA da OpenAI teriam escapado de um ambiente de testes e invadido autonomamente a infraestrutura da Hugging Face.

Mark Zuckerberg olhando de lado
The Social Reckoning tem previsão de arrecadar cerca de US$ 7 milhões na estreia nos cinemas dos Estados Unidos. – Imagem: Frederic Legrand – COMEO/Shutterstock

O que os números revelam sobre a preocupação com a IA

A repercussão dessas histórias coincide com a desconfiança crescente em relação à tecnologia. Uma pesquisa da Quinnipiac mostrou que 73% dos americanos estão preocupados com a possibilidade de a IA ameaçar a sobrevivência humana. Já um levantamento do Pew Research indicou que 54% consideram os centros de dados prejudiciais ao meio ambiente.

David Kirby, diretor do programa de Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade Politécnica Estadual da Califórnia (Cal Poly), avalia que o cinema pode ampliar a atenção dedicada a essas questões.

“Os filmes são meios de comunicação extremamente persuasivos. As histórias são extremamente persuasivas. Sabemos disso há séculos”, afirmou.

Segundo Kirby, os líderes do setor também podem se incomodar com produções que questionem suas decisões e a imagem de que seriam capazes de salvar a humanidade.

Sam Altman, CEO da OpenAI
Artificial, da Neon, dramatiza a breve saída de Sam Altman do comando da OpenAI em 2023. – Imagem: FotoField/Shutterstock

Quando o cinema influencia o debate público

Há exemplos anteriores de filmes que ajudaram a colocar questões científicas e ambientais em evidência. O Dia Depois de Amanhã, de 2004, chamou atenção para as mudanças climáticas, enquanto o documentário Blackfish, de 2013, foi associado a mudanças na percepção pública sobre o SeaWorld e o cativeiro de mamíferos marinhos.

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Kirby também citou Impacto Profundo e Armageddon, ambos de 1998, como produções que contribuíram para aumentar a atenção dedicada à ameaça de asteroides.

Mesmo quando a precisão científica é questionável, esses filmes podem despertar o interesse por temas pouco presentes no debate cotidiano. “Você precisa conquistar a atenção do público. Precisa fazer com que as pessoas comecem a prestar atenção em você. Os filmes são uma maneira perfeita de fazer isso”, afirmou o pesquisador.

A nova leva de produções coloca sob os holofotes disputas e decisões que marcaram a indústria tecnológica. Resta saber se essas narrativas vão intensificar as preocupações com a inteligência artificial ou estimular uma discussão mais ampla sobre seus riscos e responsabilidades.

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