As principais empresas de inteligência artificial (IA) têm adotado uma estratégia coordenada para reduzir a crescente desconfiança do público em relação à tecnologia. Dados de pesquisas recentes indicam que a percepção negativa sobre a IA está aumentando, impulsionando iniciativas das companhias para abordar preocupações como perda de empregos, concentração de riqueza e riscos à segurança.
Nesse contexto, empresas como OpenAI e Anthropic passaram a defender propostas e firmar parcerias que buscam suavizar os impactos da tecnologia. As ações ocorrem em meio a alertas de líderes empresariais e investidores sobre possíveis efeitos sociais e econômicos da rápida adoção da IA.
Propostas e parcerias para reduzir temores
A OpenAI divulgou recentemente uma lista de propostas voltadas a questões sociais ligadas à IA. Entre as ideias estão a criação de uma semana de trabalho de quatro dias e de um fundo público financiado por investimentos em IA, com distribuição de recursos à população.
A empresa também sinalizou uma postura mais ativa no debate público. Segundo uma porta-voz, o objetivo é participar das discussões com “soluções reais” que acompanhem a velocidade de avanço da tecnologia. Chris Lehane, chefe de assuntos globais da OpenAI, afirmou ao Wall Street Journal que há um senso de urgência nesse debate.

Já a Anthropic tem focado em parcerias com setores como consultoria e software, áreas afetadas por preocupações de investidores sobre substituição por IA. Essas iniciativas ajudaram, inclusive, a impulsionar novamente ações de empresas de tecnologia que haviam sido pressionadas.
Cresce a preocupação com impactos sociais
Pesquisas recentes mostram aumento significativo na desconfiança do público. Um levantamento da Quinnipiac University, realizado em março, apontou que 55% dos americanos acreditam que a IA trará mais prejuízos do que benefícios em suas vidas diárias, ante 44% no ano anterior.
Outro estudo, conduzido pela NBC News, indicou que a avaliação de favorabilidade da IA ficou abaixo até mesmo de órgãos governamentais tradicionalmente mal avaliados. As preocupações incluem desde desemprego em larga escala até ameaças à cibersegurança.
Além disso, estudos apontam mudanças na rotina de trabalho com a adoção da tecnologia. Em vez de liberar tempo para atividades criativas, alguns trabalhadores passaram a dedicar mais horas a tarefas como e-mails e ferramentas de gestão, enquanto o tempo de trabalho focado diminuiu.
Mudança de estratégia e pressão por regulação
Historicamente, empresas como a OpenAI resistiram a regulações mais rígidas. No entanto, o aumento do ceticismo público tem tornado essa postura menos sustentável. Para Amba Kak, do AI Now Institute, as empresas agora tentam assumir protagonismo na formulação de políticas. “Se não podem se opor a todas as regras, o próximo passo é liderar a discussão”, afirmou ao WSJ.
A Anthropic também tem ampliado seus esforços para estudar os impactos da IA. A empresa criou um think tank interno e publicou pesquisas sobre uso da tecnologia por profissionais, além de expandir equipes que atuam diretamente dentro de organizações para melhorar a produtividade com IA.
Disputa por narrativa e expansão do setor
As empresas também têm investido em comunicação para influenciar a percepção pública. A OpenAI adquiriu o podcast TBPN, conhecido por abordar tecnologia de forma positiva, como parte de uma estratégia mais ampla de moldar o debate sobre IA.
Ao mesmo tempo, a continuidade do crescimento do setor depende de grandes investimentos em infraestrutura, como data centers. Esses projetos já enfrentam resistência de autoridades locais e ativistas, preocupados com custos e impactos econômicos.
A pressão aumenta em um cenário de volatilidade no mercado. Um exemplo citado foi a queda de US$ 1,6 trilhão em ações de software no início do ano, evidenciando riscos para empresas que dependem do avanço da IA para sustentar seus negócios.
O post IA não é pop: empresas reagem ao aumento da rejeição apareceu primeiro em Olhar Digital.