A inteligência artificial pode ajudar países em desenvolvimento a alcançar em uma década avanços equivalentes a um século de progresso, segundo um relatório divulgado pelo Banco Mundial.
O estudo indica que essas nações podem aproveitar mais oportunidades do que enfrentar ameaças com a tecnologia, desde que avancem em áreas como energia, internet e capacitação digital.

IA pode ampliar acesso a serviços essenciais
Segundo o relatório do Banco Mundial, a inteligência artificial pode ajudar milhões de pessoas ao facilitar o acesso a serviços como saúde, educação, agricultura e atendimento público.
A adoção da tecnologia não depende necessariamente de grandes modelos de IA ou investimentos bilionários. Para o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, ferramentas menores e adaptadas às necessidades locais já podem gerar resultados relevantes.
“IA lançou uma tábua de salvação para as economias em desenvolvimento, e elas deveriam aproveitá-la”, afirmou Gill em nota.
Entre as aplicações citadas pelo estudo estão:
- acelerar diagnósticos realizados por profissionais de saúde;
- ajudar professores a melhorar planos de aula;
- orientar agricultores sobre plantio e períodos adequados;
- ampliar o acesso a serviços judiciais e administrativos.
Ao mesmo tempo, governos e empresas enfrentam um desafio básico: criar a estrutura necessária para sustentar essa transformação. O avanço depende de eletricidade confiável, conexão à internet e maior acesso a dispositivos digitais.
IA ameaça menos empregos em países emergentes
Embora a substituição de trabalhadores seja uma das principais preocupações em torno da inteligência artificial, o relatório aponta que as economias emergentes podem sofrer menos impactos do que os países ricos.
A pesquisa indica que 4,5% dos empregos em países de baixa e média renda estão expostos aos riscos da IA generativa. Nas economias mais desenvolvidas, esse índice chega a 14,2%.
Por outro lado, a possibilidade de aumento de produtividade é semelhante nos dois grupos: 16,2% dos empregos em países em desenvolvimento e 18,7% em nações de alta renda podem obter ganhos relevantes com a tecnologia.

Falta de preparo pode ampliar desigualdades
O Banco Mundial alerta que a inteligência artificial também pode gerar problemas se for adotada sem planejamento, incluindo aumento da desigualdade, disseminação de informações falsas e uso da tecnologia para repressão política.
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Para a instituição, deixar essa transformação passar pode ter um custo elevado. Gill comparou o momento atual ao impacto da Revolução Industrial e afirmou que países que perderam aquela oportunidade passaram séculos lidando com as consequências.
Hoje, as economias em desenvolvimento perderam a primeira Revolução Industrial e passaram os dois séculos seguintes pagando o preço. Elas não podem se dar ao luxo de perder esta.
Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, em nota.
O relatório conclui que a IA pode se tornar uma aliada do crescimento econômico, mas o impacto dependerá de como cada país prepara sua infraestrutura e suas pessoas para utilizar a tecnologia.
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