Indústrias automotivas de Brasil e Argentina se unem para conter avanço de carros chineses

Indústrias automotivas de Brasil e Argentina se unem para conter avanço de carros chineses

Para tentar conter o domínio chinês, o setor automotivo sul-americano acaba de consolidar uma aliança estratégica entre Brasil e Argentina. Representantes das principais entidades dos dois países firmaram a chamada “Declaração de Buenos Aires”, um compromisso que estabelece uma agenda integrada com foco em competitividade e atração de investimentos.

O documento, assinado durante o evento Automechanika (realizado entre os dias 8 e 11 de abril), reflete uma mudança de postura no Mercosul. O foco agora deixa de ser a administração do comércio bilateral para priorizar uma estratégia conjunta de produção e exportação para o mercado global.

Foco em tecnologias híbridas e elétricas

O acordo, firmado por entidades como Anfavea e Sindipeças (Brasil), e Adefa e Afac (Argentina), prevê que as novas regras de integração sejam consolidadas antes de 2029. Entre as prioridades da agenda está o desenvolvimento de tecnologias de maior complexidade técnica, fundamentais para a transição energética:

  • Motores híbridos e elétricos: coordenação de políticas para incentivar o desenvolvimento regional dessas propulsões.
  • Especialização produtiva: complementação industrial para ampliar o intercâmbio de peças e veículos entre os dois países.
  • Padronização técnica: unificação de regulamentos para o mercado de reposição e componentes originais.
  • Eficiência aduaneira: processos mais fluidos nas fronteiras para reduzir custos logísticos.

Conforme apurado pelo G1, o setor automotivo é um pilar vital para a economia local, respondendo por cerca de 20% do PIB industrial brasileiro e empregando mais de 1,9 milhão de pessoas em ambos os países.

Reação à concorrência da China

A união dos vizinhos ocorre em um cenário de forte pressão comercial. O avanço das marcas chinesas tem sido o centro das atenções do setor há anos, gerando inclusive tensões políticas. Em 2025, montadoras instaladas no Brasil já haviam pressionado o governo federal para barrar concessões de impostos sobre carros importados em estado semipronto.

Essa preocupação com a soberania industrial é reforçada por lideranças globais presentes na região. Recentemente, a presidência da Nissan para as Américas também defendeu a adoção de medidas que protejam a indústria nacional contra a agressividade das marcas chinesas. A Declaração de Buenos Aires surge, portanto, como uma tentativa de garantir que a produção regional permaneça competitiva diante da rápida transformação tecnológica do setor.

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