A Apple lançou seis aparelhos na quarta-feira (09). Desses, um pode ser considerado disruptivo (pelo menos, para o portfólio da marca): o iPhone Duo. Isso porque trata-se do primeiro smartphone dobrável da Apple. Nos demais, a maioria das novidades visuais é discreta. As mais significativas estão dentro dos aparelhos (processadores, bateria, software).
O evento também marcou a primeira aparição de John Ternus como CEO da Apple. Em 1º de setembro, o engenheiro se sentou na cadeira ocupada por Tim Cook por 15 anos. Agora, o ex-CEO é Presidente Executivo do Conselho de Administração da empresa.
Até que ponto o iPhone dobrável é inovador? E o que vale destacar sobre o iPhone 18 Pro e Pro Max, os novos modelos de Apple Watch e os AirPods 5? O Olhar Digital repercutiu essas perguntas com dois colunistas: Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação; e doutor Álvaro Machado Dias, professor da Unifesp, neurocientista e futurista.
iPhone Duo: disruptivo ou lançamento ‘atrasado’?
A demonstração do primeiro iPhone que dobra deixou Igreja, com perdão pelo trocadilho, “bem dividido”. Por um lado, o especialista destacou como o aparelho parece ser “bem resolvido”.
“Tem uma série de vantagens. Gostei da ideia e da proporção que a Apple assumiu. Ele se parece com um passaporte, não é simplesmente como se você tivesse dois smartphones um do lado do outro”, analisou o especialista. “Dá para ver que é fruto de muitos anos de desenvolvimento.”

O especialista continuou: “Eles falaram muito sobre a impressão 3D que usaram e os materiais que deslizam uns sobre os outros para você justamente não ter aquela sensação de dobra. São materiais tremendamente avançados. É um feito da engenharia.”
Por outro lado, o especialista chamou atenção para o que chamou de “parte fria da história”: o preço e os recursos. No site brasileiro da Apple, o preço do iPhone Duo parte de astronômicos R$ 21.999.
O aparelho traz o melhor processador do portfólio da marca (o mesmo do iPhone 18 Pro Max, por exemplo). Mas, por conta da complexidade da engenharia por trás do dobrável, não a melhor câmera – esta você encontra justamente no iPhone 18 Pro Max, cujo preço parte de R$ 11.999. Estamos falando de, aproximadamente, R$ 10 mil de diferença.
“Se a pessoa tiver esse dinheiro no bolso, ela poderia comprar qualquer iPhone e ainda sobraria dinheiro. A pessoa poderia comprar, por exemplo, um iPad Mini ou outro iPad, aparelhos que as pessoas atualizam com muito menos frequência”, pondera Igreja. O preço desses partem de R$ 7.999 e R$ 5.999, respectivamente.
Ou seja: se a pessoa comprasse (à vista), por exemplo, um iPhone 18 Pro Max e um iPad (o modelo “padrão” mais recente), a dupla sairia por aproximadamente R$ 18 mil. Em comparação ao iPhone Duo, sobram cerca de R$ 4 mil. E a pessoa teria adquirido: 1) os melhores processadores de smartphone e sistema de câmeras da marca; e 2) uma tela touch de 11 polegadas.

Então, para quê comprar um iPhone Duo? Qual seria a vantagem? “Não ficaria nem um pouco surpreso se, especialmente pelo alto preço, ele se tornasse uma espécie de símbolo para influenciadores e produtores de conteúdo”, disse o especialista. “Aquela coisa que é extravagante e que acaba vendendo para um determinado nicho justamente por isso.”
Ainda segundo Igreja, a Apple demorou tanto para lançar seu smartphone dobrável porque “não sentiu a necessidade de lançar antes”. “Acredito que a Apple esperou o avanço das telas e dessa tecnologia toda justamente para oferecer algo que fosse digno de um design compatível com aquilo em que a marca acredita.”
O especialista organizou o contexto da seguinte forma: de um lado, a empresa não enxergou uma ameaça, no sentido de smartphones dobráveis serem uma categoria emergente a ponto de fazer a marca pensar que estava perdendo mercado ao não lançar algo nela. De outro, a tecnologia não estava madura o suficiente para um lançamento.
“Precisamos lembrar que a Apple é muito mais uma empresa que resolve bem o ecossistema, o software e a experiência. Ela não é exatamente conhecida por ser a primeira a chegar em nenhuma categoria de produto”, observou Igreja.
iPhone 18 Pro e Pro Max: para especialista, bateria avança mais rápido que recursos
Para Igreja, o iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max são “avanços lineares”. “A grande troca de geração foi na versão anterior. Eles não tinham uma grande novidade para apresentar, então é por isso que se ancoraram na bateria”, disse.
“Precisamos lembrar que a duração da bateria caminha junto com o aumento do processamento e da capacidade de uso. A ideia não é ter uma bateria que dure dois ou três dias, mas sim que haja um avanço na utilização para que ela dure por volta de um dia”, analisou Igreja.
O que aconteceu com a Apple foi que a bateria avançou mais rápido do que o que ela tinha para oferecer em recursos.
Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, em entrevista ao Olhar Digital.

Sobre isso, o doutor Álvaro Machado Dias disse: “O que estou vendo são tijolinhos de vidro cuja bateria se torna um pouco mais eficiente a cada nova geração.”
No entanto, vale destacar as principais novidades no sistema de câmeras: a nova lente principal de 48 MP Fusion e recursos no aplicativo Câmera. O que vale você saber é:
- Pela primeira vez no iPhone, a câmera principal utiliza seis lâminas cortadas a laser para alternar entre diferentes aberturas físicas, ajustando a entrada de luz e a profundidade de campo;
- O aplicativo Câmera traz uma nova experiência personalizável com controles manuais, chamados de “Pro controls”: abertura da lente e velocidade do obturador, balanço de branco e histograma (para monitorar a exposição da cena em tempo real).
Apple Intelligence: ‘Finalmente a Apple tinha alguma coisa para mostrar’, diz especialista
Entre os destaques sobre software, Igreja se disse impressionado com demonstrações do Apple Intelligence – recursos da marca com inteligência artificial (IA) generativa embutida. “Finalmente a Apple tinha alguma coisa para mostrar”, disse o especialista.
Entre os recursos mencionados por Igreja, estavam: edição de vídeo, aplicação de filtros, mudança de perspectiva em fotos e buscas contextuais.
Na demonstração exibida pela empresa, uma pessoa está numa estação e pergunta para a Siri: “Não teve uma amiga minha que me falou que aqui perto tem um restaurante?”. Em seguida, a Apple Intelligence busca nas conversas e responde: “Sim, ela falou que tem um restaurante aqui perto e eu vou te orientando pelo fone sobre como chegar lá”.
“Finalmente! A Apple parecia tão envergonhada de falar sobre a Apple Intelligence que fiquei positivamente surpreso”, relatou Igreja.

Já o doutor Álvaro Machado Dias assumiu a postura de “pagar para ver”. “Em 2025, falamos que o iPhone 17 Pro e Pro Max trariam uma capacidade de processamento de inteligência artificial de ponta. Passado um ano, nada mudou”, disse o especialista.
A inteligência artificial que a Apple nos prometeu há um ano não chegou. Então, prefiro pagar para ver desta vez.
Doutor Álvaro Machado Dias, professor da Unifesp, neurocientista e futurista, em entrevista ao Olhar Digital.
O especialista acrescentou: “Acho que discutir se ter a capacidade de rodar um modelo de linguagem pequeno num chip é vantajosa é uma coisa. A gente discutir isso no contexto desse lançamento da Apple, para mim, já é outra. Nesse contexto, ainda não vi nada.”
Para o futurista, ter um chip com capacidade de rodar um modelo local de inteligência no celular é vantajoso. “Não simplesmente por uma questão econômica. A grande questão é a latência”, disse o doutor Álvaro Machado Dias.
“É muito importante, quando você está buscando alguma coisa no celular, que a resposta seja imediata, que aconteça em frações de segundo. E isso só é possível quando você tem uma estrutura operando ali localmente. Tendo a acreditar que a tendência vai ser essa”, observou o especialista.
Assista abaixo a análise completa do doutor Álvaro Machado Dias sobre os lançamentos da Apple:
Novos modelos de Apple Watch, novas maneiras de monitorar o que o usuário faz e como se sente
“Tem um avanço importante nos sensores e no ecossistema dos smartwatches, tanto no Ultra quanto no smartwatch normal”, analisou o especialista. “É um avanço importante na frequência de medição. A Apple avançou muito em alguns indicadores de saúde.”
Sobre o que ele estava falando? “Por exemplo, ela consegue agora dar uma ideia de quantos anos tem o corpo da pessoa para comparar com a idade de nascimento”, explicou Igreja.

O especialista continuou: “Nessa parte de fitness e saúde, a Apple realmente deu um salto importante nesta geração – não só nos sensores e na bateria dos smartwatches, mas principalmente no campo do software.”
“Um recurso que achei bastante estranho, que a Apple apresentou para os smartwatches, é a capacidade de monitoramento de conversa”, observou Igreja. Se a pessoa escutou uma conversa ali, ela pode recapitular o que foi dito nos últimos 15 segundos. O Apple Watch (seja o Series 12, seja o Ultra 4) capta o áudio e o processa, localmente, via IA. A empresa chamou isso de “Inteligência de Áudio”.
“Parece que as pessoas podem estar tão distraídas que é como se o relógio refizesse um TikTok do mundo dos últimos 15 segundos. Achei um exemplo estranhíssimo”, relatou o especialista.
Confira abaixo o comentário completo do especialista sobre os lançamentos da Apple:
O post iPhone Duo vale a pena? Especialistas analisam lançamentos da Apple apareceu primeiro em Olhar Digital.