A startup chinesa Unitree Robotics tenta converter a repercussão mundial de seus robôs humanoides em uma operação comercial de grande porte. A empresa ganhou projeção mundial após exibir máquinas capazes de realizar movimentos acrobáticos, mas agora enfrenta o desafio de levar esses equipamentos para aplicações práticas.
O avanço ocorre em meio à disputa internacional pelo desenvolvimento de robôs humanoides, área considerada estratégica pela China. Fundada por Wang Xingxing, a companhia aposta em redução de custos, controle da fabricação de componentes e integração com sistemas de inteligência artificial para acelerar sua expansão.
Apesar da visibilidade conquistada, a adoção em larga escala ainda está distante. A maior parte das unidades vendidas pela empresa continua nas mãos de universidades, centros de pesquisa e desenvolvedores, enquanto o uso em ambientes industriais representa uma parcela menor do negócio.
Da fama na televisão aos desafios do mercado
A Unitree ganhou destaque principalmente após apresentações públicas de seus modelos H2 e G1, que apareceram em performances de artes marciais transmitidas durante o Spring Festival Gala, evento televisivo do China Media Group associado às celebrações do ano-novo chinês.
A exposição transformou a empresa em uma das representantes do avanço chinês na robótica. Em uma teleconferência de resultados da Tesla, Elon Musk afirmou que a China estaria em posição de destaque no setor de robôs humanoides, ao comentar a ausência de concorrentes relevantes fora do país.
O crescimento da atenção pública também trouxe pressão para a companhia. Wang Xingxing afirmou à revista Time que o excesso de expectativa criado pela internet aumenta a cobrança por avanços rápidos, embora o desenvolvimento de tecnologias complexas dependa de períodos mais longos.
A estratégia da Unitree envolve oferecer robôs com preços inferiores aos de muitos concorrentes e manter domínio sobre partes importantes do hardware. O modelo G1 teve seu valor reduzido de US$ 16 mil para US$ 13.500, enquanto o H2 aparece com preço estimado próximo de US$ 30 mil.
Mesmo com essa redução, os equipamentos ainda não conquistaram o mercado industrial de forma ampla. Dados apresentados pela empresa indicam que apenas uma pequena parcela das vendas segue para fábricas e operações logísticas, enquanto instituições acadêmicas e profissionais de pesquisa concentram a maior parte da demanda.
O obstáculo para transformar humanoides em produtos comuns
Especialistas apontam que os robôs humanoides ainda apresentam limitações para executar tarefas variadas em ambientes reais. A dificuldade principal está na capacidade de adaptação quando há mudanças nas condições de trabalho, como diferenças de iluminação, materiais ou organização dos objetos.
Grace Shao, responsável pela newsletter AI Proem, avaliou que esses equipamentos ainda não atingiram maturidade suficiente para chegar ao mercado de massa. Jiang Zheyuan, CEO da startup Noetix, destacou que uma estratégia eficiente em uma situação específica pode perder desempenho quando aplicada em cenários diferentes.
Wang compara o estágio atual da robótica humanoide ao início da popularização dos computadores pessoais, quando os primeiros usuários eram profissionais especializados. Na visão dele, a evolução dos softwares e o aumento da participação de desenvolvedores podem ampliar gradualmente o uso industrial dessas máquinas.
A Unitree também avançou no processo para a abertura de capital na Bolsa de Xangai. Documentos da empresa indicam lucro de aproximadamente US$ 87 milhões em 2025 e receita de US$ 250 milhões.
Mecha GD01 mostra outra frente da robótica da Unitree

Além dos humanoides destinados a tarefas práticas, a empresa apresentou o GD01, um robô de maior porte inspirado em máquinas mecha da cultura popular. O equipamento foi desenvolvido como uma plataforma para testes de força e segurança, mas ainda não representa um produto voltado ao uso cotidiano.
O projeto chamou a atenção pelo tamanho e pela proposta de combinar características de robôs bípedes e quadrúpedes. A própria liderança da empresa demonstrou cautela em relação ao equipamento, indicando que sua operação ainda envolve preocupações de segurança.
A companhia espera que avanços em inteligência artificial permitam ampliar as capacidades dos robôs e aproximá-los de atividades mais complexas. Ainda assim, Wang avalia que a implantação ampla de humanoides dependerá de tempo e amadurecimento tecnológico.
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