A intuição geométrica e a capacidade de reconhecer formas abstratas não são uma exclusividade da espécie humana, mas um traço cognitivo compartilhado com outros primatas. Segundo um estudo publicado nesta semana no periódico PNAS, macacos e humanos usam mecanismos mentais semelhantes para processar e categorizar figuras geométricas.
Os pesquisadores analisaram o comportamento de macacos, crianças em idade pré-escolar e adultos em testes de correspondência visual para mapear a forma como cada grupo reconhece padrões no espaço. Os dados revelaram que o cérebro dos primatas não humanos também combina representações visuais de alto nível com propriedades simbólicas abstratas.
Como a rotação de objetos revelou a evolução do raciocínio
Até então, a hipótese da singularidade simbólica sustentava que apenas os seres humanos possuíam a capacidade de codificar relações geométricas por meio de regras discretas, como a identificação de simetria, lados paralelos e ângulos retos. Supunha-se que os animais dependiam unicamente de traços perceptivos contínuos e semelhanças visuais superficiais para distinguir figuras no ambiente.
Para verificar se essa divisão conceitual de fato existia, os cientistas submeteram os participantes a tarefas de pareamento visual nas quais era necessário identificar figuras geométricas sob variações de orientação. Ao avaliar as escolhas por meio de modelos estatísticos e computacionais, a equipe observou que os macacos priorizavam conceitos estruturais abstratos e não apenas detalhes perceptivos simples.

O achado central do experimento surgiu ao analisar a reação dos animais diante de figuras rotacionadas. Quando confrontados com objetos girados no espaço, os macacos demonstraram uma dependência de pistas simbólicas e estruturais ainda maior do que a exibida por crianças em idade pré-escolar diante de imagens não rotacionadas.
Os resultados indicam que a representação geométrica surge da capacidade do sistema visual de processar a invariância de rotação. Essa função cerebral permite reconhecer a estrutura fundamental de um objeto independentemente da sua posição no campo de visão, servindo como base neurológica para o surgimento da intuição geométrica nos primatas.
A descoberta contesta a ideia de um salto evolutivo exclusivo na mente humana. E indica que os conceitos geométricos fundamentais possuem raízes biológicas compartilhadas. Ao demonstrar que a abstração espacial é gradual e contínua entre as espécies, a pesquisa amplia a compreensão sobre como os mecanismos de processamento visual evoluíram no cérebro.
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