Mais de 100 países têm spywares para invadir celulares, alerta Reino Unido

Mais de 100 países têm spywares para invadir celulares, alerta Reino Unido

O Centro Nacional de Segurança Cibernética (NCSC) do Reino Unido lançou um alerta: mais de 100 países (cerca de metade das nações do mundo) têm acesso a spywares projetados para invadir celulares e computadores. O dado foi revelado nesta quarta-feira (22) pelo diretor do órgão, Richard Horne, durante a conferência CYBERUK em Glasgow. 

O número representa um aumento significativo em comparação a 2023, quando a inteligência britânica estimava que 80 nações detinham esse tipo de tecnologia de espionagem.

A inteligência britânica aponta que a queda nas barreiras de acesso a essas ferramentas tornou muito mais simples para governos e hackers mirarem cidadãos, empresas e infraestruturas. 

O cenário atual indica que tecnologias de vigilância de nível militar, antes restritas a poucas potências, estão amplamente disponíveis no mercado. Isso facilita invasões silenciosas para o roubo de dados.

IA e vazamentos ampliam ameaça cibernética global

Para Horne, o mundo enfrenta uma “tempestade perfeita” de riscos digitais, impulsionada pelo avanço acelerado da inteligência artificial (IA)

O diretor do NCSC destacou que modelos de IA têm sido usados para automatizar a descoberta de falhas em sistemas numa escala impossível para operadores humanos.

Um exemplo é o modelo Mythos, da Anthropic, considerado “perigoso demais” por seus criadores para ser liberado ao público. Isso porque essa IA permitiria que qualquer pessoa encontrasse e explorasse brechas de segurança complexas em navegadores e sistemas operacionais.

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Modelos de IA têm sido usados para automatizar a descoberta de falhas em sistemas numa escala impossível para operadores humanos – por exemplo: o Mythos, da Anthropic – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Além da evolução tecnológica, o perfil das vítimas mudou: o uso de softwares espiões como o Pegasus (da NSO Group) e o Graphite (da Paragon) não se limita mais a alvos políticos ou dissidentes. 

A inteligência britânica afirma que a lista de alvos agora inclui banqueiros e executivos. Isso sinaliza que a espionagem comercial se tornou uma arma na guerra econômica. 

Além disso, essa expansão demonstra que muitas empresas do setor privado ainda falham em compreender a gravidade e a realidade do perigo atual.

O relatório enfatiza que a maioria dos ataques cibernéticos de alta relevância contra o Reino Unido agora parte de nações adversárias e não apenas de gangues de criminosos comuns. 

Outro fator crítico é a proliferação de ferramentas de elite por meio de vazamentos na internet. Um exemplo recente é o conjunto de ferramentas DarkSword, que permitiu que criminosos criassem sites para hackear iPhones e iPads que não estivessem com as últimas atualizações de segurança instaladas. 

Hacker usa extensão no navegador do Chrome para acessar dados de cartão de crédito no browser de laptop para compras não autorizadas browser
Ministro da Segurança do Reino Unido defende que as empresas de IA se unam ao governo para criar defesas cibernéticas autônomas – Imagem: JARIRIYAWAT/Shutterstock

Isso reforça como, mesmo quando desenvolvidas para uso governamental, essas armas digitais podem “escapar” do controle e colocar milhões de usuários comuns em risco.

Para conter essa escalada, o Ministro da Segurança britânico, Dan Jarvis, defende que as empresas de IA se unam ao governo na criação de defesas cibernéticas autônomas

A proposta é usar a própria IA para identificar e corrigir vulnerabilidades numa velocidade e escala que nenhum humano conseguiria acompanhar. 

Jarvis descreveu a construção dessa infraestrutura como um “esforço geracional” que testará os limites da engenharia e da inovação global.

(Essa matéria usou informações de Politico.)

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