Missão Artemis 2 bate recorde de distância da Terra

Missão Artemis 2 bate recorde de distância da Terra

Nesta segunda-feira (6), sexto dia da missão Artemis 2, lançada pela NASA na última quarta-feira (1), a cápsula Orion alcançou o lado oculto da Lua, a face do satélite que nunca é vista da Terra. Além disso, os astronautas a bordo da espaçonave se tornaram as pessoas que chegaram mais longe da Terra na história da exploração espacial humana.

Com transmissão ao vivo pelo Olhar Digital, a missão Artemis 2 superou o recorde de cerca de 400 mil km de distância da Terra atingido em 1970 pela missão Apollo 13. Isso aconteceu às 14h56 (pelo horário de Brasília). Cerca de 10 minutos mais tarde, os astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA), iniciaram oficialmente suas observações lunares, com duração prevista de aproximadamente sete horas.

“Da cabine da Integrity [nome dado à cápsula Orion pela tripulação], aqui, enquanto ultrapassamos a maior distância já percorrida por humanos a partir do planeta Terra, fazemos isso honrando os esforços e feitos extraordinários de nossos antecessores na exploração espacial humana”, disse Wiseman. “Continuaremos nossa jornada ainda mais longe no espaço antes que a Mãe Terra consiga nos trazer de volta a tudo o que nos é caro, mas, acima de tudo, escolhemos este momento para desafiar esta geração e a próxima a garantir que este recorde não dure muito tempo.”

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Emoção dos astronautas da Artemis 2 ao superar o recorde de distância da Terra – Crédito: NASA

Dia de lembranças e homenagens

Hansen também aproveitou para fazer uma homenagem póstuma, dedicando uma das crateras lunares à esposa de um dos membros, que morreu de câncer em 2020. “O nome dela era Carroll, esposa de Reid, mãe de Katie e Ellie”, disse o comandante enquanto os astronautas a bordo enxugavam as lágrimas. 

A cratera Carroll, recém-dedicada, pode ser encontrada perto da cratera Glushko, “logo a noroeste desta, na mesma latitude da Terra”, disse Hansen, acrescentando que “é um ponto brilhante na Lua”, visível da Terra. As filhas e a família de Wiseman estavam presentes na sala de controle da missão durante a passagem pela Lua, segundo informado pela NASA na transmissão.

A tripulação Artemis 2 foi despertada nesta manhã com uma mensagem especial gravada pelo astronauta veterano da NASA Jim Lovell, falecido no ano passado. Ele participou das missões Apollo 8, a primeira a atingir o lado oculto da Lua, e também da 13, antiga recordista de distância da Terra.

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Visão do lado oculto da Lua pela cápsula Orion, com a missão Artemis 2, em 6 de abril de 2026 – Crédito: NASA

Poucos minutos após a aproximação da Lua, Koch compartilhou suas primeiras impressões da missão. “Um dos relatos da tripulação nas janelas é que, neste momento, conseguimos ver a Lua e a Terra ao mesmo tempo”, disse ela. “É interessante, porque a Terra parece muito mais brilhante. Portanto, a própria Terra parece ter um albedo muito maior do que a Lua.”

Albedo é o brilho de uma superfície, medindo quanto da luz solar é refletida. Koch explicou que essa diferença não se deve ao tamanho aparente dos astros. “Acreditamos que isso seja independente do foco dos nossos olhos, porque, obviamente, a Terra é muito menor que a Lua em nossa visão. Como estamos vendo ambas no mesmo campo de visão, acreditamos que isso pode ser inferido como resultado de que a Terra, como um todo, possui um albedo maior.”

Durante a transmissão do Olhar Digital, Zurita explicou que o albedo da Terra é, em média, de 30%, ou seja, 30% da luz que bate na Terra é refletida de volta para o espaço. “O albedo da Lua já é menor mesmo, conforme Koch observou. É de cerca de 12%, o que quer dizer que 12% da luz solar é refletida pela Lua. Então, essa sensação que a astronauta passou, na verdade, é a sensação real de que o albedo, a refletividade da Terra, é bem maior que a da Lua. O que faz com que, provavelmente, eles se sintam um pouco ofuscados quando olham para a Terra”.

Wiseman também fez uma descrição emocionada da sua vista. “A Lua tem cerca de três ou quatro vezes o tamanho da Terra, e está quase cheia, enquanto a Terra é apenas um pequeno crescente lá fora. É magnífico. Consegui tirar uma foto com a lente grande angular, uma vista majestosa daqui”.

Na véspera do sobrevoo, a equipe científica enviou à tripulação da missão a lista final com 30 alvos na superfície da Lua. Entre eles está a bacia Orientale, uma cratera de 965 quilômetros que se estende pelos lados visível e oculto. Com 3,8 bilhões de anos, a cratera se formou após o impacto de um grande objeto e preserva anéis e relevo impressionantes, que a tripulação observará de vários ângulos.

Outra característica observada pelo time é a bacia de Hertzsprung, localizada a noroeste de Orientale, com 640 quilômetros de diâmetro no lado oculto. Mais antiga e desgastada por impactos posteriores, Hertzsprung oferece um contraste com Orientale. Comparar essas formações ajudará os cientistas a entender como as crateras e bacias lunares mudam ao longo de bilhões de anos.

Koch ficou impressionado com a imensidão dessa cratera. “Estamos muito animados com esse alvo, que é meio novo para nós”, disse ela, a primeira mulher a atingir a órbita da Lua.

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Artemis 2 verá um eclipse solar do lado oculto da Lua

É esperado para às 20h07 que a espaçonave atinja sua distância máxima em relação ao planeta, a 406.700 km. Antes disso, está prevista uma perda de sinal da cápsula para 19h47, que deve durar 40 minutos.

Perto do final da observação, a partir das 20h35, a tripulação verá um eclipse solar do espaço. A Lua se alinhará com o Sol, ocultando sua luz por quase uma hora, permitindo aos astronautas analisar a coroa solar que surge ao redor da borda lunar.

[Em atualização]

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