Muito além dos estereótipos: personagens LGBT+ que marcaram a história dos videogames

Muito além dos estereótipos: personagens LGBT+ que marcaram a história dos videogames

Durante décadas, personagens LGBT+ apareceram nos videogames de forma tímida, muitas vezes limitados a subtextos ou interpretações dos fãs. Nos últimos anos, porém, grandes franquias passaram a apresentar protagonistas e personagens secundários com orientações sexuais e identidades de gênero confirmadas oficialmente pelos próprios estúdios.

A mudança ajudou a ampliar a diversidade das narrativas e permitiu que milhões de jogadores se vissem representados em alguns dos maiores sucessos da indústria. De RPGs a jogos de ação, personagens LGBT+ hoje fazem parte de franquias como Cyberpunk 2077, The Last of Us, League of Legends, Baldur’s Gate 3, Dragon Age e muitas outras.

Confira alguns dos personagens LGBT+ mais importantes dos videogames.

Cyberpunk 2077 traz algumas das representações mais variadas

Imagem: Cyberpunk/ Divulgação

A Night City criada pela CD Projekt Red reúne personagens de diferentes orientações e identidades.

O protagonista V pode ser interpretado como bissexual ou pansexual, dependendo das escolhas de romance feitas pelo jogador durante a campanha.

Outro destaque é Kerry Eurodyne, integrante da banda Samurai e um dos romances disponíveis no jogo. Os desenvolvedores já confirmaram que Kerry é bissexual com forte preferência por homens.

Johnny Silverhand, interpretado por Keanu Reeves, também é descrito como bissexual, informação presente em diálogos e materiais oficiais do universo de Cyberpunk 2077.

The Last of Us apresentou protagonistas LGBT+ de forma natural

Imagem: O Globo/ Reprodução

A franquia da Naughty Dog tornou-se uma das maiores referências em representatividade.

Ellie é oficialmente lésbica, característica apresentada desde o DLC Left Behind e aprofundada em The Last of Us Part II.

Na sequência também conhecemos Lev, um garoto transgênero cuja história aborda identidade, aceitação e intolerância, tornando-se um dos personagens mais marcantes do jogo.

Overwatch confirmou dois dos personagens mais populares

Imagem: Overwatch/ Divulgação

A Blizzard também expandiu a diversidade do universo de Overwatch.

Tracer (Lena Oxton) foi a primeira personagem oficialmente confirmada como lésbica, enquanto Soldier: 76 (Jack Morrison) foi revelado posteriormente como gay, por meio da história oficial publicada pela desenvolvedora.

Baldur’s Gate 3 transformou liberdade de relacionamento em marca registrada

Um dos maiores RPGs dos últimos anos também é um dos mais inclusivos.

Todos os companheiros romanceáveis de Baldur’s Gate 3 são pansexuais, permitindo que qualquer protagonista desenvolva relacionamentos independentemente do gênero.

Entre eles estão:

  • Astarion
  • Shadowheart
  • Gale
  • Lae’zel
  • Karlach
  • Wyll
  • Halsin

Além disso, o jogo apresenta diversos NPCs queer e uma importante história de amor entre duas mulheres durante o segundo ato.

League of Legends expandiu sua representatividade ao longo dos anos

Imagem: League of Legends/ Divulgação

O universo de Runeterra reúne diversos personagens LGBTQIA+ confirmados oficialmente pela Riot Games.

Entre eles estão:

  • Vi — lésbica
  • Caitlyn — lésbica
  • Neeko — lésbica
  • K’Sante — gay
  • Graves — gay
  • Twisted Fate — pansexual/bissexual
  • Leona e Diana — primeiro casal LGBTQIA+ oficial do universo do jogo
  • Nami — bissexual, em relacionamento poliamoroso
  • Varus — formado pelas almas de Valmar e Kai, um casal homoafetivo
  • Viktor — assexual, segundo o cocriador de Arcane

Dragon Age ajudou a abrir espaço para personagens LGBT+ nos RPGs

A BioWare foi uma das primeiras grandes desenvolvedoras a investir em romances inclusivos.

Entre seus personagens mais conhecidos estão:

  • Dorian Pavus, considerado o primeiro personagem totalmente gay da história da BioWare.
  • Krem, homem trans integrante dos Bull’s Chargers.

Life is Strange e Tell Me Why apostaram em protagonistas diversos

A Dontnod também se destacou pela representatividade.

Max Caulfield, protagonista de Life is Strange, é considerada bissexual, enquanto Tyler Ronan, de Tell Me Why, tornou-se o primeiro protagonista transgênero de um grande jogo AAA.

Hades transformou a mitologia em uma história diversa

O premiado roguelike da Supergiant Games também apresenta diversos personagens LGBTQIA+.

Zagreus é bissexual e pode desenvolver múltiplos relacionamentos dependendo das escolhas do jogador.

Além dele, Achilles e Patroclus mantêm um relacionamento homoafetivo inspirado diretamente na mitologia grega.

Outros personagens LGBT+ marcantes dos videogames

A lista continua crescendo e inclui personagens importantes em diferentes gêneros e gerações:

  • Vivian (Paper Mario: A Porta Milenar) — mulher trans.
  • Sam Greenbriar (Gone Home) — lésbica.
  • Parvati Holcomb (The Outer Worlds) — assexual e homorromântica.
  • Athena e Janey Springs (Borderlands: The Pre-Sequel) — casal lésbico.
  • Tony Prince (Gay Tony) (GTA IV: The Ballad of Gay Tony) — personagem abertamente gay.
  • Kainé (NieR Replicant) — personagem intersexo que se identifica como mulher.
  • Emil (NieR) — gay.
  • Operator 6O (NieR: Automata) — lésbica.
  • Ciri (The Witcher 3) — bissexual no universo dos livros e jogos.
  • Mislav (The Witcher 3) — gay.
  • Juhani (Star Wars: Knights of the Old Republic) — primeira personagem LGBTQIA+ canônica de Star Wars.
  • Jari e Somr (God of War Ragnarök) — casal homoafetivo apresentado em uma missão secundária.
  • Tyrone Henry (Resident Evil Resistance) e Crispin “Dee-Ay” Jettingham (Resident Evil: Operation Raccoon City) — personagens gays confirmados oficialmente.

A representatividade continua crescendo

A presença de personagens LGBT+ nos videogames deixou de ser exceção para se tornar parte natural de diversas franquias. Hoje, estúdios utilizam diferentes orientações sexuais e identidades de gênero para construir personagens mais complexos e histórias mais próximas da diversidade encontrada no mundo real.

Embora ainda exista espaço para ampliar essa representatividade, a indústria de games já reúne dezenas de protagonistas, companheiros e personagens secundários LGBTQIA+ que ajudaram a transformar a forma como essas histórias são contadas.

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