Elon Musk encerrou, nesta quinta-feira (30), sua participação como testemunha no julgamento histórico contra a OpenAI. Nos momentos finais do depoimento, o advogado de Musk, Steven Molo, conduziu um interrogatório focado em clarear por que o empresário não processou a OpenAI e Microsoft antes.
Além disso, o advogado aproveitou a oportunidade para restaurar a credibilidade do bilionário e esclarecer pontos de fricção levantados pelas defesas nos dias anteriores, conforme informações do The New York Times.
O motivo do atraso no processo judicial
Um dos questionamentos centrais das defesas era o porquê de Musk ter esperado anos para abrir o processo se a mudança de rumo da OpenAI era pública. Ao ser questionado por Molo, Musk reiterou sua crença na natureza filantrópica da fundação.
- Fé na missão: Musk afirmou que acreditava piamente que a organização permaneceria como uma “501c3 pura” (referência ao código tributário americano para instituições de caridade isentas de impostos).
- Demora estratégica: segundo o bilionário, ele só decidiu agir judicialmente quando ficou claro que a natureza sem fins lucrativos havia sido definitivamente abandonada em favor do lucro.
A polêmica da AGI na Tesla e a reação da OpenAI
Em um dos momentos mais técnicos do dia, Musk voltou a negar que a Tesla tenha planos de buscar a AGI (Inteligência Artificial Geral) – uma máquina capaz de realizar qualquer tarefa humana. A fala, no entanto, gerou reações imediatas na sala de tribunal:
- Contradição: a afirmação confronta postagens recentes de Musk em suas redes sociais, nas quais ele sugeria que a Tesla seria uma das líderes globais nessa tecnologia.
- Movimentação nos bastidores: enquanto Musk negava os planos para a Tesla, o cofundador da OpenAI, Greg Brockman, foi visto escrevendo uma nota em um papel amarelo e passando-a rapidamente para sua equipe jurídica, sinalizando uma possível exploração dessa inconsistência futuramente.
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O balanço de três dias no banco das testemunhas
O depoimento de Musk, iniciado na terça-feira (28), começou com um tom messiânico, focado na ideia de que todas as suas empresas (Tesla, SpaceX e Neuralink) visam o benefício da humanidade. No entanto, o clima mudou drasticamente a partir de quarta-feira (29), quando o interrogatório da OpenAI tornou a sessão repleta de ironias.
Sob a condução final de seu próprio advogado, Musk pareceu mais confortável do que durante o embate com William Savitt. O desafio agora cabe ao júri de Oakland, que precisará processar um volume massivo de e-mails e detalhes técnicos para decidir se Sam Altman e Greg Brockman de fato “roubaram” uma missão humanitária para criar uma operação comercial de centenas de bilhões de dólares, como alega Musk.
O “golpe final” da OpenAI
O depoimento terminou em clima de confronto direto. Em sua última rodada de perguntas – a segunda com Elon Musk –, o advogado William Savitt resgatou um e-mail de 2017 que sugeria que o empresário teria uma participação de 55% em uma futura OpenAI lucrativa.
Musk reagiu com irritação, alegando que sequer estava em cópia na mensagem entre seus chefes de gabinete na época. A discussão subiu de tom a ponto de a juíza Yvonne Gonzalez Rogers intervir e encerrar a sessão de interrogatório.
Com o fim do depoimento do bilionário, o julgamento se prepara para a próxima testemunha: Jared Birchall, que dirige o escritório familiar de Musk.
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