O julgamento do processo aberto por Elon Musk contra a OpenAI entra na sua segunda semana. Quem deve depor nesta segunda-feira (04) é o presidente da desenvolvedora do ChatGPT, Greg Brockman.
O caso, que tramita num tribunal federal em Oakland, na Califórnia, analisa a acusação de que a startup de inteligência artificial (IA) traiu sua missão original (de organização sem fins lucrativos) em favor de lucros comerciais bilionários sob a gestão do CEO Sam Altman.
Musk, que ocupou o banco das testemunhas por três dias consecutivos na semana passada, pede o desmembramento da estrutura lucrativa da OpenAI e a remoção de sua atual liderança.
Além de Brockman, o tribunal deve ouvir nos próximos dias o CEO da Microsoft, Satya Nadella, e a ex-CTO da OpenAI, Mira Murati.
Presidente da OpenAI depõe enquanto anotações sugerem planos antigos de lucro
Brockman é uma das testemunhas mais importantes do setor de IA a ocupar o banco. Os advogados de Musk planejam confrontá-lo com anotações de seu diário pessoal, escritas em 2017, nas quais ele mencionava que “fazer dinheiro parece bom” e discutia a possibilidade de mudar para um modelo com fins lucrativos.
Embora Brockman tenha alegado em depoimento prévio que os registros eram apenas planos de receita para sustentar a missão original da OpenAI, a acusação usa essas notas para provar que a mudança já era arquitetada secretamente.
Além do CEO da Microsoft e da ex-CTO da OpenAI, o tribunal deve receber nos próximos dias Ilya Sutskever, cofundador da startup de IA.

Outra presença aguardada é a de Shivon Zilis, ex-membro do conselho da OpenAI e mãe de quatro filhos de Musk. Mensagens de texto dela (já exibidas no tribunal) sugerem que o bilionário estava de acordo com o modelo de lucro em 2017.
Durante seus depoimentos na semana passada, Musk admitiu que sua própria empresa de IA, a xAI, ainda é muito pequena se comparada à concorrência.
Ele revelou que a startup é cerca de um décimo do tamanho da OpenAI e classificou o mercado atual com a Anthropic em primeiro lugar, seguida pela OpenAI e pelo Google.
A defesa da OpenAI pretende usar essas falas para reforçar que o processo é uma manobra de Musk para atrasar um concorrente enquanto a xAI (adquirida por outra empresa sua, a SpaceX, em fevereiro) tenta recuperar o atraso tecnológico.
O desfecho desta fase está previsto para 21 de maio, quando a juíza Yvonne Gonzalez Rogers decidirá se houve irregularidades contratuais.
Embora nove jurados acompanhem o caso, o veredito deles é consultivo. Isso significa que cabe à magistrada a palavra final sobre o futuro da governança da OpenAI.
Defesa questiona intenções de Musk e juíza proíbe debates sobre o “fim da humanidade”
Na primeira semana do julgamento, a defesa da OpenAI apresentou e-mails de 2017 e 2018 que contradizem o discurso de altruísmo de Musk.
As mensagens mostram que o bilionário propôs fundir a startup com a Tesla, de forma que a montadora serviria como “vaca leiteira” para financiar o desenvolvimento da tecnologia.
Além disso, evidências apontaram que Musk chegou a sugerir uma estrutura societária na qual ele deteria 51,20% das ações da OpenAI.

Outro ponto importante foi o detalhamento das doações reais de Musk, apresentado pelo gestor da sua fortuna, Jared Birchall. Ficou comprovado que o empresário doou US$ 38 milhões (R$ 189 milhões) entre 2016 e 2020, valor bem abaixo da promessa inicial de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) feita na fundação da empresa.
A defesa argumentou ainda que, como os fundos foram repassados via instrumentos jurídicos específicos (DAFs), Musk perdeu legalmente o direito de ditar como o dinheiro seria usado.
Musk também admitiu que a xAI usou a tecnologia da OpenAI para treinar seu chatbot, o Grok. Ele confirmou a prática de “destilação de modelos“, técnica na qual uma IA mais avançada “ensina” uma mais simples.
Para manter o foco jurídico, a juíza Yvonne Gonzalez Rogers proibiu qualquer menção a “riscos existenciais” ou à extinção da raça humana durante o processo.
A magistrada afirmou que o tribunal não aceitará “roteiros de ficção científica”. E que a disputa deve se restringir a questões financeiras e contratuais.
(Essa matéria usou informações de Wall Street Journal.)
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