Musk x OpenAI: 2ª semana começa com foco em Greg Brockman e troca de acusações

Musk x OpenAI: 2ª semana começa com foco em Greg Brockman e troca de acusações

O julgamento envolvendo Elon Musk e a OpenAI entrou em sua segunda semana nesta segunda-feira (4), com foco nas finanças do presidente da startup, Greg Brockman.

Brockman foi chamado a depor como uma das principais testemunhas do caso, que reúne alguns dos mais influentes nomes da inteligência artificial (IA). Durante o interrogatório conduzido pelo advogado de Musk, Steven Molo, vieram à tona detalhes sobre sua participação financeira na empresa.

O que Brockman disse em mais um dia de julgamento de Musk vs. OpenAI

  • Segundo Brockman, sua fatia na OpenAI atualmente vale cerca de US$ 30 bilhões (R$ 149,5 bilhões);
  • Ele também confirmou possuir participações em diversas empresas que mantêm relações comerciais relevantes com a OpenAI;
  • A estratégia da defesa de Musk se apoiou fortemente em anotações pessoais de Brockman, incluindo registros de diário eletrônico. Em um dos trechos apresentados ao júri, escrito durante negociações com Musk sobre a estrutura futura da OpenAI, Brockman questionava: “Financeiramente, o que me levará a $1B?”;
  • “Você realmente queria ser bilionário, certo?”, perguntou Molo;
  • Brockman respondeu: “Resolver os problemas da missão sempre foi minha principal motivação. E continua sendo até hoje.”

O depoimento também abordou a forma como Brockman foi remunerado por seu trabalho na OpenAI. Ele revelou um acordo no qual recebeu participação em investimentos pessoais do CEO da empresa, Sam Altman — algo que, segundo afirmou, Musk desconhecia.

Reportagem recente do The Wall Street Journal apontou que Altman realizou investimentos pessoais e buscou envolver a OpenAI em negociações com empresas nas quais possui participação financeira.

Greg Brockman
Brockman foi a testemunha do dia – Imagem: Reprodução

Dois dias antes do início do julgamento, Musk entrou em contato com Brockman para sondar a possibilidade de um acordo, de acordo com um documento apresentado pela OpenAI antes do depoimento. Após Brockman sugerir que ambas as partes retirassem suas acusações, Musk respondeu com uma ameaça.

“Até o final desta semana, você e Sam serão os homens mais odiados da América. Se você insiste, assim será”, afirmou Musk, segundo o processo.

Mais sobre o depoimento de Brockman

Durante o depoimento, foi exibido ao júri um e-mail enviado por Brockman à então CEO do Yahoo, Marissa Mayer, em 2015, quando a OpenAI ainda era um laboratório sem fins lucrativos. Na mensagem, ele solicitava financiamento e afirmava que doaria US$ 100 mil (R$ 498,5 mil) para a iniciativa.

Brockman confirmou que nunca realizou a doação. Questionado se considerava “moralmente falido” prometer uma doação e não cumpri-la, respondeu: “Não”.

No tribunal, Brockman também relembrou um jantar realizado em 2015 no hotel Rosewood, onde os cofundadores da OpenAI se reuniram pela primeira vez para discutir a criação de um laboratório de inteligência artificial que pudesse competir com o Google.

Segundo ele, a primeira frase de Musk ao grupo foi: “Demis Hassabis é mau?” Hassabis liderava o laboratório de IA DeepMind, adquirido pelo Google em 2014.

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O advogado de Musk tentou ainda demonstrar que Brockman teria enganado o empresário em diferentes ocasiões. Em um momento, apresentou um e-mail de Jared Birchall, assessor de Musk, alertando que parte da remuneração de Brockman vinha do escritório familiar de Altman. “Naturalmente, Greg terá maior lealdade a Sam como resultado desse arranjo”, dizia a mensagem.

Musk encaminhou o e-mail a Brockman com dois pontos de interrogação, indicando desconhecimento do acordo. Em resposta, Brockman explicou que sua proposta inicial na OpenAI incluía salário de US$ 175 mil (R$ 872,4 mil), participação acionária na Y Combinator e no fundo Continuity. Como as ações se esgotaram, ele recebeu “uma concessão de 1% no family office de Sam”.

Não há qualquer lealdade pessoal a Sam aqui”, escreveu. “Não sou motivado por dinheiro, mas sim por justiça, e me sentiria mal se não recebesse nada depois que as ações da YC se esgotassem.” Brockman afirmou em depoimento que Musk não tinha conhecimento dessa mudança em sua remuneração porque “seu tempo era limitado” e era difícil contatá-lo.

Em outro momento, Molo destacou comunicações internas indicando que Brockman possuía participação na empresa de IA Cerebras, com a qual a OpenAI negociava uma possível aquisição. Brockman disse ter informado um associado de Musk sobre o potencial conflito de interesses, mas confirmou que não comunicou diretamente o empresário.

Elon Musk
Musk alega que não sabia das movimentações de Brockman – Imagem: FotoField/Shutterstock

Ele também declarou possuir participações em outras empresas com contratos com a OpenAI, incluindo a provedora de nuvem CoreWeave, a processadora de pagamentos Stripe e a startup de fusão nuclear Helion.

O advogado utilizou diversas entradas do diário de Brockman para tentar demonstrar inconsistências em sua postura durante as negociações com Musk. Em uma anotação de novembro de 2017, apresentada ao júri, Brockman escreveu:

“Aliás, outra conclusão que tirei disso é que seria errado tirar a organização sem fins lucrativos dele. Transformá-la em uma empresa B sem ele seria moralmente reprovável. E ele não é nenhum idiota.”

Questionado sobre o significado da declaração, Brockman afirmou que tal movimento “serviria à missão, mas seria difícil se olhar no espelho”. O julgamento segue com expectativa de novos depoimentos ao longo da semana, incluindo do CEO da Microsoft, Satya Nadella.

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