O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU na manhã desta terça-feira (22). Entre os vários tópicos abordados pelo mandatário, estava a tecnologia.
Lula discursou após o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e o presidente da assembleia, Khalilur Rahman. Os três falaram sobre o avanço da inteligência artificial (IA).
Por tradição, o Brasil abre os discursos do debate geral. Isso acontece desde 1955. Em 2026, o segundo presidente a discursar foi o dos Estados Unidos, Donald Trump.
‘Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes com grandes riscos e oportunidades’, diz Lula na ONU
Lula disse que a sociedade passa por uma “revolução tecnológica sem precedentes”. E que essa revolução tem “grandes riscos e oportunidades”.
“Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das big techs e da inteligência artificial”, disse Lula.
O presidente também disse que “um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital sem regras nem transparência”.
Para Lula, esses “tecno-oligarcas” estão “promovendo uma corrida sem freios éticos, à revelia da ONU e do painel científico sobre inteligência artificial”.
“Empresas que conhecem o risco de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos”, disse Lula.

O presidente também falou sobre bets e a aprovação do ECA Digital.
A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro.
Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em discurso na Assembleia Geral da ONU.
Sobre bets, Lula disse que “a disseminação vertiginosa está endividando e destruindo milhões de lares”. “O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio.”
Já sobre a aprovação ECA Digital, o presidente afirmou que esta é “uma das legislações mais avançadas do mundo para proteger crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital”.
Ainda na seara tecnológica, Lula defendeu o Pix. “Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamento pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros e brasileiras”, disse.
‘Brasil não cabe no quintal de ninguém’
O presidente do Brasil voltou a defender a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos.
Lula disse que “a proximidade geográfica com a maior potência do mundo é inescapável”. Mas frisou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”
“Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para uma maior integração entre os vizinhos”, acrescentou o presidente. “O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho.”
A fala de Lula vem num momento de tensão entre Brasil e Estados Unidos. O governo tem demonstrado preocupação com uma eventual interferência externa (americana, pricipalmente) no processo eleitoral.
Em seu discurso, o presidente também falou sobre tarifaço e combate ao crime organizado. E defendeu a paz e o multilateralismo.
Matéria em atualização…
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