NASA busca um caminho “mais viável” para retornar à Lua

NASA busca um caminho “mais viável” para retornar à Lua

A NASA se prepara para levar astronautas de volta à Lua pela primeira vez em mais de cinco décadas. O objetivo vai além do simples retorno: a agência quer testar novas formas de exploração humana, mais seguras e eficientes, e avançar em direção a uma presença permanente no satélite. A Artemis 2, primeira missão desse novo ciclo, tem lançamento programado para 1º de abril.

Se tudo correr bem, essa viagem fará com que humanos vão para mais longe da Terra do que nunca, superando o recorde da Apollo 13, em 1970. “O mais empolgante é que estamos retomando isso”, disse Amit Kshatriya, administrador associado da NASA, na Conferência de Ciências Lunares e Planetárias (LPSC) na segunda-feira (16), em The Woodlands, no Texas.

O foguete SLS, da missão Artemis 2, da NASA, na plataforma de lançamento do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Crédito: NASA

Em resumo:

  • NASA planeja retorno humano à Lua após mais de cinquenta anos;
  • Artemis 2 levará quatro astronautas para órbita lunar e observações;
  • Tripulação fará registros detalhados de terreno, cores e iluminação;
  • Treinamento incluiu geologia do satélite e técnicas inspiradas na era Apollo;
  • Artemis 4 realizará primeiro pouso tripulado no polo sul lunar em 2028.

Nada como o olhar humano sobre a Lua

A missão Artemis 2 terá duração de cerca de 10 dias e levará quatro astronautas à órbita lunar. O comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e a especialista Christina Koch são da NASA, enquanto Jeremy Hansen, também especialista, é da Agência Espacial Canadense (CSA). Eles vão sobrevoar o lado oculto da Lua, observando regiões que nenhum humano jamais viu – saiba mais sobre o time aqui.

“Suas descrições serão dados científicos monumentais”, explicou Ariel Deutsch, cientista planetária do Centro de Pesquisa Ames. Ela destacou que a percepção humana detecta detalhes que sensores robóticos não captam.

Durante a missão, a tripulação terá blocos de observação que podem somar até seis horas ao longo da viagem. Nesse período, os astronautas vão registrar a Lua usando câmeras portáteis, tablets e gravações de voz, fazendo anotações sobre relevo, cores e iluminação. Essas observações humanas são essenciais porque permitem perceber detalhes sutis que sensores robóticos não captam, como variações finas de terreno ou iluminação, ajudando os cientistas a estudar regiões ainda pouco conhecidas do satélite.

Para organizar o trabalho, a NASA criou um atlas lunar interativo. Ele orienta a tripulação sobre quais alvos observar, considerando luz e visibilidade. O plano final será atualizado após o lançamento, de acordo com a trajetória da espaçonave.

Tripulação da Artemis II
Tripulação da missão Artemis II: Victor Glover (que vai se tornar a primeira pessoa negra a chegar à órbita da Lua), Christina Kech (a primeira mulher) e Reid Wiseman (os três, da NASA), além de Jeremy Hansen, astronauta da Agência Espacial Canadense (Imagem: NASA)

O treinamento da tripulação durou três anos, com base em técnicas da era Apollo. O foco foi geologia de campo e um curso intensivo de “fundamentos lunares”. O objetivo era preparar os astronautas para descrever a Lua com precisão.

“Praticamos bastante para que se sentissem confiantes em falar sobre a Lua”, disse Cindy Evans, responsável pelo treinamento no Centro Espacial Johnson. A preparação ajuda a garantir que informações cruciais cheguem aos cientistas na Terra.

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NASA reformulou o programa Artemis

A Artemis 2 era inicialmente planejada como etapa preparatória para um pouso lunar da Artemis 3 em 2028. Agora, a NASA decidiu que o primeiro pouso tripulado desde as missões Apollo ficará a cargo da Artemis 4. O destino continua sendo o polo sul da Lua, região onde se acredita existir gelo de água, recurso essencial para futuras missões humanas.

O terreno do polo sul é mais difícil que os locais visitados pela Apollo. Há declives, montanhas e iluminação extrema. Para tornar o pouso mais viável, a NASA flexibilizou especificações de órbita e projeto das missões. A ideia é dar mais liberdade às indústrias parceiras.

A agência também planeja missões robóticas frequentes a partir de 2027. Elas coletarão dados sobre temperaturas, solo e comunicação. Essas informações reduzirão riscos para futuras tripulações e ajudarão a estabelecer uma presença humana permanente na Lua.

Atrasos no foguete Starship da SpaceX mudaram a estratégia. O módulo Blue Moon, da Blue Origin, também está sendo preparado para pousos lunares. A NASA testará o acoplamento da Orion com esses módulos na Artemis 3, agora antecipada para 2027.

O objetivo é manter o pouso lunar em 2028 e avançar antes da China. “Será preciso que a NASA trabalhe lado a lado com a indústria para concluir os projetos”, disse Kshatriya. “É ambicioso, mas acredito que podemos fazer isso.”

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