NASA descobre cratera na Lua maior do que o Coliseu; impacto de asteroide ou cometa passou despercebido

NASA descobre cratera na Lua maior do que o Coliseu; impacto de asteroide ou cometa passou despercebido

A sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da NASA, identificou uma cratera recém-formada na Lua, criada pelo impacto de um asteroide ou cometa entre abril e maio de 2024. Com 222 metros de largura, ela é a maior cratera de impacto conhecida formada em tempos recentes.

A descoberta ocorreu após o cientista Robert Wagner comparar imagens da superfície lunar. O impacto também lançou material por mais de 100 quilômetros e revelou mudanças no solo que podem ajudar no planejamento de futuras estruturas na Lua.

cratera McGetchin
O impacto que criou a McGetchin lançou poeira e rochas por mais de 100 quilômetros sobre a superfície lunar. – Imagem: NASA Goddard/Intuitive Machines/Robert Wagner

Escala gigantesca para uma cratera jovem

Batizada de McGetchin, a estrutura tem 222 metros de largura e chega a 43 metros de profundidade. A dimensão equivale aproximadamente ao tamanho do Coliseu, enquanto a profundidade permitiria acomodar três ônibus escolares empilhados.

O objeto que provocou a colisão tinha tamanho estimado entre um prédio de três e seis andares. Segundo os pesquisadores, um impacto dessa magnitude acontece na Lua aproximadamente uma vez por século ou até em intervalos maiores.

O impacto mudou o solo lunar

A colisão espalhou poeira e rochas por mais de 100 quilômetros. Outro estudo identificou uma área de aproximadamente 7 quilômetros ao redor da cratera que fica cerca de 9 °C mais fria durante a noite.

O fenômeno está ligado ao regolito, camada de poeira e fragmentos que cobre a superfície lunar. O impacto deixou esse material mais solto e menos denso, reduzindo sua capacidade de reter calor.

Os efeitos observados incluem:

  • uma região de aproximadamente 7 quilômetros com temperatura noturna menor;
  • regolito mais solto e menos denso;
  • alteração da superfície por mais de 100 quilômetros;
  • possíveis efeitos sobre a circulação de veículos lunares.

David Paige, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, comparou o processo ao cultivo do solo.

“Agora estamos pensando nos impactos como uma forma de cultivar o regolito — revolvendo os sedimentos e colocando na superfície material que normalmente fica abaixo dela”, explicou.

cratera McGetchin
O impacto raro também pode ajudar pesquisadores a avaliar os riscos para uma futura base humana na Lua. – Imagem: NASA Goddard/Intuitive Machines

Como a NASA encontrou a cratera

A descoberta aconteceu durante uma checagem de rotina. Wagner comparava mapas feitos com imagens captadas em anos diferentes quando percebeu uma área clara cercada por uma região escura.

Leia mais:

“Eu simplesmente parei, larguei tudo e comecei a investigar o que era aquele ponto”, relatou.

Um programa de computador destacava diferenças entre as imagens, mas também produzia muitos falsos alarmes causados por mudanças de iluminação e sombras. As imagens posteriores feitas pela câmera de alta resolução permitiram confirmar a cratera, medir suas dimensões e analisar os efeitos do impacto.

O que a descoberta revela para futuras missões

Desde 2009, o LRO já identificou pelo menos mil novas crateras e cerca de 100 mil outras alterações na superfície lunar provocadas por impactos e pelos detritos lançados por eles.

Os dados também indicam que os 2 centímetros superiores do solo lunar são revolvidos a cada 80 mil anos, em um ritmo maior do que o estimado anteriormente. Esse processo também significa que as pegadas deixadas pelos astronautas das missões Apollo não devem permanecer intactas por esse período.

Agora, os pesquisadores querem calcular o risco de materiais lançados por novos impactos atingirem uma eventual base lunar. O resultado poderá ajudar engenheiros a projetar estruturas mais resistentes aos efeitos dessas colisões.

O post NASA descobre cratera na Lua maior do que o Coliseu; impacto de asteroide ou cometa passou despercebido apareceu primeiro em Olhar Digital.