Em uma webconferência transmitida ao vivo na tarde desta terça-feira (26), a NASA apresentou os planos para a Base Lunar, iniciativa ligada ao programa Artemis, que pretende estabelecer uma presença humana contínua na Lua.
Durante o encontro, líderes da agência espacial discutiram o progresso do projeto, anunciaram novas parcerias com a indústria e detalharam os próximos passos para a construção da futura estrutura lunar.
Participaram do evento o administrador da NASA, Jared Isaacman, a administradora associada interina da Divisão de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da agência, Lori Glaze, e o executivo do Programa Base Lunar, Carlos García-Galán. Segundo eles, a Base Lunar deverá funcionar como um habitat de longa duração voltado para pesquisas científicas, operações robóticas e permanência prolongada de astronautas na superfície lunar.

A NASA também destacou que missões robóticas atuarão em conjunto com astronautas para explorar a Lua, testar novas tecnologias e coletar dados importantes sobre o ambiente lunar. De acordo com a agência, a experiência adquirida com a Base Lunar será essencial para preparar futuras viagens tripuladas a Marte e ampliar as possibilidades de exploração científica e comercial fora da Terra.
A Base Lunar passou a ocupar posição central dentro do programa Artemis após mudanças recentes na estratégia da NASA. Em março, a agência anunciou a suspensão do projeto da estação orbital Gateway, que funcionaria como uma plataforma de apoio para astronautas em órbita da Lua. Com isso, os recursos e esforços técnicos passaram a ser direcionados para a construção de estruturas diretamente na superfície lunar.
A decisão representou uma alteração importante nos planos originais do Artemis. Inicialmente, a Gateway serviria como ponto de apoio para astronautas em missões lunares, funcionando como uma espécie de estação espacial em órbita da Lua. Agora, a NASA pretende priorizar sistemas capazes de manter equipes trabalhando diretamente no solo lunar por períodos mais longos.
Outra mudança anunciada antes, em fevereiro, envolve a missão Artemis 3, que deixará de realizar o primeiro pouso tripulado do programa. Prevista para 2027, a missão será utilizada para testes de acoplamento e operações em órbita terrestre. Com isso, o retorno de astronautas à superfície da Lua foi transferido para a Artemis 4, atualmente prevista para 2028.
Segundo a NASA, a estratégia busca reduzir riscos técnicos antes das missões mais complexas. Ao mesmo tempo, a agência quer acelerar o desenvolvimento de tecnologias para habitação lunar, geração de energia e utilização de recursos encontrados no próprio satélite natural, como depósitos de gelo nas regiões polares.
Além das missões tripuladas, robôs terão papel fundamental na preparação da Base Lunar. Esses equipamentos deverão ajudar na construção de estruturas, transporte de materiais e análise do terreno antes da chegada dos astronautas. Segundo a agência, a experiência adquirida na Lua será essencial para futuras missões humanas rumo a Marte.
Base Lunar será implantada em três etapas
Diferente das rápidas visitas realizadas durante o Programa Apollo nas décadas de 1960 e 1970, a NASA agora pretende estabelecer uma presença humana contínua na Lua. O projeto será dividido em três fases e terá como objetivo final criar uma base permanentemente habitada a partir de 2032.

A primeira, batizada de “Construir, Testar, Aprender”, já começa com lançamentos em 2026 e deverá seguir até 2029. Nesse período, a agência pretende validar novas tecnologias na órbita e na superfície lunar. A etapa incluirá testes com equipamentos, sistemas de suporte à vida, trajes espaciais e operações iniciais de exploração.
O principal marco dessa fase será o primeiro pouso tripulado do novo programa lunar. Para tornar isso possível, a NASA prevê uma grande operação logística com 25 lançamentos de foguetes e 21 pousos na Lua. Cerca de quatro mil quilos de equipamentos e suprimentos deverão ser enviados ao satélite natural.
Entre 2029 e 2032 começará a segunda etapa do projeto, chamada de “Estabelecer a Infraestrutura Inicial”. Nessa fase, a exploração lunar deixará de depender apenas de missões isoladas e passará a funcionar de maneira contínua e estruturada. A meta será realizar missões tripuladas duas vezes por ano.
Para sustentar esse avanço, a NASA prevê 27 lançamentos e 24 pousos lunares. A quantidade de materiais enviados à Lua deverá crescer de forma significativa, alcançando aproximadamente 60 mil quilos de carga. Esses equipamentos serão usados na construção dos primeiros módulos habitacionais e sistemas permanentes de energia.
A terceira fase deverá começar em 2032 e terá como foco a chamada “Presença Humana Sustentada”. Nessa etapa, a Base Lunar passará a manter astronautas trabalhando continuamente na superfície da Lua, de forma semelhante ao que acontece atualmente na Estação Espacial Internacional.
Para manter uma base ativa de maneira permanente, a NASA prevê uma operação logística ainda maior. A expectativa é realizar 29 lançamentos e 28 pousos coordenados, permitindo transportar aproximadamente 150 mil quilos de equipamentos, suprimentos e materiais para a superfície lunar.
Segundo a agência, a própria Lua deverá fornecer parte dos recursos necessários para a sobrevivência humana. O gelo encontrado nas regiões polares poderá ser transformado em água, oxigênio e combustível para foguetes, reduzindo a dependência de materiais enviados da Terra.
Para que o cronograma funcione, a NASA definiu sete áreas tecnológicas consideradas essenciais para o sucesso da Base Lunar: sistemas de transporte espacial, geração de energia, robótica, logística, comunicação, mobilidade e infraestrutura habitacional.
Comunicação e radiação extrema são desafios na Lua
Outro desafio será proteger astronautas contra a radiação espacial e as temperaturas extremas da Lua. Para isso, os módulos habitacionais precisarão contar com sistemas especiais de isolamento e proteção. A agência também pretende criar veículos capazes de percorrer grandes distâncias na superfície lunar.
Além disso, a futura Base Lunar deverá possuir uma rede avançada de comunicação e navegação, funcionando como uma espécie de internet lunar. Esse sistema permitirá orientar astronautas, controlar robôs e manter contato constante com a Terra durante as operações no satélite natural.
Segundo a NASA, a Base Lunar será mais do que apenas um centro de pesquisa espacial. A agência acredita que o projeto poderá abrir caminho para uma nova era da exploração humana fora da Terra, funcionando como laboratório para tecnologias que futuramente serão usadas em missões tripuladas rumo a Marte.
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NASA apresenta veículos que devem dar suporte à Base Lunar
Na conferência, a NASA revelou detalhes sobre veículos e sistemas que deverão participar da construção da futura Base Lunar. Entre os projetos apresentados estão um módulo de pouso da Blue Origin e dois veículos lunares desenvolvidos para exploração da superfície da Lua.
Phase 1 LTV Award 1 South Pole region landers – LTV awards – rovers will traverse 200Km – mix of lunar and Mars ideas up and down 20degree slope
— NASA Watch (@NASAWatch) May 26, 2026
1. @BlueOrigin Mark I (uncrewed) lander
2. @AstroLab LTV provider Flex rover – autonomous or up to 2 crew
3. @LunarOutpostInc LTV… pic.twitter.com/s5f0TQsDHy
O módulo de pouso Mark I, da Blue Origin, é um veículo não tripulado que será utilizado para transportar cargas, equipamentos, suprimentos e possivelmente estruturas habitacionais até a superfície lunar antes da chegada dos astronautas. Segundo a NASA, o sistema terá papel fundamental na logística da futura base, especialmente no envio de grandes quantidades de materiais ao polo sul da Lua.
A agência também apresentou o FLEX Rover, desenvolvido pela Astrolab. O veículo poderá operar de forma autônoma ou transportar até dois astronautas em missões de exploração. De acordo com a NASA, o rover foi projetado para percorrer longas distâncias, transportar equipamentos científicos e ampliar a capacidade de exploração ao redor da Base Lunar. Mesmo sem tripulação, o veículo continuará realizando tarefas robóticas entre as missões Artemis.

Outro projeto exibido foi o Pegasus LTV, da Lunar Outpost. O conceito faz parte da disputa para definir qual será o futuro rover oficial das missões Artemis. Segundo a empresa, o veículo prioriza mobilidade, autonomia robótica e capacidade de operar em terrenos difíceis próximos ao polo sul lunar, região considerada estratégica pela presença de depósitos de gelo.
A NASA reforçou que robôs, veículos autônomos e sistemas comerciais de pouso terão papel essencial na preparação da Base Lunar antes mesmo da presença humana contínua. A agência também destacou que pretende ampliar a participação de empresas privadas no programa Artemis, seguindo um modelo semelhante ao das atuais missões de abastecimento e transporte da Estação Espacial Internacional (ISS).
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