NASA planeja missão inédita para salvar telescópio com risco de cair na Terra

NASA planeja missão inédita para salvar telescópio com risco de cair na Terra

A NASA prepara uma missão inédita para tentar salvar um telescópio espacial que corre risco de reentrar na atmosfera da Terra. A iniciativa é em parceria com a empresa privada Katalyst e prevê o lançamento de uma espaçonave robótica capaz de se acoplar ao equipamento e levá-lo a uma órbita mais segura.

O alvo da operação é o Observatório Neil Gehrels Swift, lançado em novembro de 2004. Ao longo de duas décadas, o telescópio se tornou uma ferramenta essencial para a observação de explosões de raios gama, um dos fenômenos mais extremos do universo. Mais recentemente, também foi utilizado no estudo do cometa interestelar 3I/ATLAS.

Apesar da importância, o Swift enfrenta um problema: a degradação de sua órbita. O espaço pode até parecer vazio, mas a atmosfera terrestre se estende gradualmente para além da superfície, criando um arrasto que, ao longo do tempo, reduz a velocidade de satélites e os aproxima de volta do nosso planeta. Esse efeito tem sido intensificado pelo atual ciclo de atividade solar, que atingiu seu pico em outubro de 2024, e provoca a expansão da atmosfera superior.

Como consequência, as estimativas da NASA indicavam que, em novembro de 2025, havia 50% de probabilidade de o telescópio reentrar na atmosfera terrestre até junho de 2026, e 90% de chance de isso ocorrer antes de 2027.

Engenheiros da Katalyst Space Technologies desembalam sua espaçonave robótica de serviço LINK no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA
Engenheiros da Katalyst desembalam a espaçonave LINK no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA – Imagem: NASA/Sophia Roberts

Missão da NASA vai estender vida útil do telescópio

Diante desse cenário, a agência espacial destinou US$ 30 milhões à Katalyst para desenvolver uma aeronave capaz de recolocar o teléscopio de volta em órbita e prolongar sua vida útil. A empresa criou o LINK, que está em fase de testes desde 14 de abril no Centro de Voos Espaciais Goddard.

Paralelamente ao desenvolvimento da missão, a equipe do telescópio adotou medidas para reduzir o consumo de energia e minimizar o arrasto atmosférico. Isso incluiu o desligamento de instrumentos e o reposicionamento dos painéis solares, estratégia que já garantiu alguns meses adicionais de operação.

“O Swift ainda está produzindo dados científicos valiosos, e temos uma maneira de preservá-los enquanto estabelecemos um modelo para como operamos no espaço. A missão de reforço do Swift foi projetada para estender a vida útil de uma espaçonave existente, que não foi projetada para manutenção, de forma rápida e econômica”, disse Ghonhee Lee, CEO da Katalyst, em comunicado.

O lançamento do LINK ainda não tem data confirmada, mas a previsão inicial aponta para junho de 2026. A espaçonave será levada ao espaço por um foguete Pegasus XL, da Northrop Grumman, lançado a partir de uma aeronave.

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